Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Negro tempo

O Estado da União

Ideias Políticas

2015-06-02 às 06h00

Pedro Sousa

Braga. A última sessão da Assembleia Municipal deixou mais claro que nunca que o Executivo Municipal liderado por Ricardo Rio não tem visão, ambição, sensibilidade e liderança política à altura daquilo que é a exigência de um Concelho e de uma Cidade viva, enérgica, desenvolvida, solidária e cosmopolita como Braga nos habituou, desde há muitos anos, a ser.

Num tempo de grandes dificuldades sociais, num tempo em que todos os dias somos confrontamos com novos e dramáticos fenómenos de pobreza e exclusão social, a Coligação PSD-CDS na Câmara Municipal, à imagem dos seus colegas de Partido no Governo da República, fechou os olhos, assobiou para o lado e teve a desfaçatez de “cortar” 44% nas funções sociais municipais.

O tempo político actual, a realidade nua e crua de muitas famílias de Braga profundamente afectadas pela carestia que a grave crise dos últimos anos lhes impôs, a pobreza oculta e muitos outros fenómenos que lhe estão associados exigiam da parte da Câmara Municipal, numa demonstração de solidariedade e genuíno humanismo, a manutenção, pelo menos, do mesmo investimento que a estas funções esteve alocada nos últimos anos. Ao invés, ao arrepio de tudo o que fazia sentido ter acontecido, a Câmara “cortou” 44% dessas despesas. Repito, agora por extenso, para que não sobre qualquer tipo de dúvida que é mesmo de quarenta e quatro por cento que estamos a falar.

Se a situação das funções sociais nos deixa, a todos, perplexos, o que dizer de um Executivo Municipal que ao nível da Educação, o grande e verdadeiro motor de transformação, progresso e desenvolvimento de qualquer sociedade e comunidade viu, no Orçamento de 2014, reduzido o investimento em mais de 22% face ao ano anterior.
Também ao nível da Protecção Civil, este Executivo, no passado recente tão cioso e preocupado com estas questões, realizou cortes de mais de 84%, desprotegendo e depreciando uma função sensível para a segurança e bem estar de todos os Bracarenses.

Tudo isto resulta claro do relatório de contas do ano de 2014, resultado de opções e prioridades políticas erradas, naquele que foi o investimento mais baixo da última década, triste confirmação da visão cinzenta, pobre e acabrunhada de Ricardo Rio e seus pares.
PORTUGAL. As últimas semanas foram marcadas por dois episódios que, sendo diferentes no enquadramento e na natureza, exigem uma análise cuidada, responsável e madura que procure recortar com rigor os “comos” e os “porquês” de estas situações terem acontecido e tudo fazer para que nenhuma delas se volte a repetir.

Falo, em primeiro lugar, de um episódio numa Escola da Figueira da Foz, dado a conhecer por um vídeo que caiu com estrondo nas redes sociais.
O referido vídeo mostrava um jovem, inerte, tolhido por uma estranha apatia, enquanto era esbofeteado, agredido por duas raparigas. Mais tarde, quando tenta esboçar uma reacção de auto-defesa é agarrado por um outro jovem, permitindo, este, que as vergonhosas agressões continuem, ouvindo-se como pano de fundo as risadinhas estúpidas e as gargalhadas ignominiosas de quem assistia e desfrutava daquele triste espectáculo.

Dias mais tarde, o País, ainda estupefacto pelo episódio na Figueira, foi surpreendido com a detenção de um jovem de 17 anos, principal suspeito por ter assassinado com uma barra de ferro um colega de 14 anos, tendo ocultado o cadáver na arrecadação de um prédio da pacata vila de Salvaterra de Magos.
O “bullying” no contexto escolar, a violência entre crianças e jovens entraram-nos, assim, pela casa adentro sem pedir licença e de forma absolutamente escabrosa.

A forma como estes casos forem tratados, encarados e enfrentados, quer por todos os envolvidos, quer por todos os que neles tenham algum tipo de responsabilidade ou de tutela, condicionará, sobremaneira, o enquadramento e o surgimento ou não situações análogas no futuro, devendo, por isso mesmo, as medidas a tomar ser fortemente dissuasoras deste tipo de práticas que deixaram a nu o lago mais negro e perverso do ser humano.

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