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Nível de vida (poder de compra) dos portugueses continua a descer no contexto europeu

Os amigos de Mariana (1ª parte)

Nível de vida (poder de compra) dos portugueses continua a descer no contexto europeu

Ideias

2022-04-23 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

Estimativas recentes do Eurostat em 2021 revelam que o nível de vida (poder de compra) dos portugueses mantém uma trajetória descendente nos últimos anos. Em 2021, o Produto Interno Bruto (riqueza anual produzida) “per capita” (por habitante) em Portugal e expresso em paridades de poder de compra (em PPC), foi de 74% face a média da União Europeia (UE-27=100%), contra os valores de 76,4% e 78,6% em 2020 e 2019, respetivamente. O PIB “per capita” (em PPC) é um indicador de atividade económica que permite efetuar comparações entre países ao incluir as diferenças de preços na sua contabilização. O PIB “per capita” (em PPC) enfatiza a relação entre o crescimento económico de cada país com o nível de vida (poder de compra) da população do país. Observe-se ainda que Portugal foi em 2021, o 7º país com um PIB “per capita” (em PPC) mais baixo da UE-27.
Sendo assim, o que pode explicar essa situação desfavorável em Portugal? Ora, tendo o país uma população relativamente estável ao longo do tempo, essa situação pode ser justificada em grande parte: (a) a estagnação económica nos anos antecedentes; (b) a baixa produtividade do trabalho da economia portuguesa; (c) aos efeitos negativos na atividade económica desde 2020 com o surgimento da crise de pandemia quando o a taxa de crescimento real do PIB quebrou para menos 8,4%, afetando sobretudo o setor do turismo em atividades como o alojamento, restauração, viagens, etc.; (d) ao início da aceleração da taxa de inflação resultante sobretudo da subida dos preços da energia, matérias-primas e bens alimentares não processados.
No contexto da UE-27 o valor do PIB “per capita” (em PPC) caracterizou-se por uma elevada disparidade entre os países-membros, variando face a média da UE-27 entre 55% na Bulgária e 277% no Luxemburgo. O caso luxemburguês pode ser explicado pelo facto de o país ter um elevado percentual de trabalhadores estrangeiros em regime de empregabilidade total que, apesar de não integrar a população residente, que é usado para fins de cálculo, contribuem para o PIB do país. A Irlanda segue em 2º lugar (121% acima da média da UE-27), devido em grande medida a existência de empresas multinacionais (elevados investimentos) muitas delas propriedade de emigrantes residentes nos Estados Unidos da América. Nos lugares seguintes aparecem: Dinamarca (33% acima); Países Baixos (32% acima); Bélgica (22% acima); Alemanha (19% acima); Finlândia (13% acima); França (4% acima). Pelo contrário, na cauda da tabela encontravam-se: Croácia (30% abaixo); Eslováquia (32% abaixo); Grécia (35% abaixo); Bulgária (45% abaixo), ou seja, países com menores PIB “per capita” (em PPC). Note-se, por fim, que para além desses últimos países, apenas Letónia e Roménia tinham um PIB “per capita” (em PPC) menor que o verificado em Portugal (26% abaixo da média da UE-27).
Como pode Portugal inverter o processo de degradação do seu nível de vida (poder de compra) e passar a convergir com a média da UE-27? Entre outras medidas a serem tomadas pela governação destacam-se: (a) a elevação da produtividade laboral o que exige a obtenção de ganhos de competências por parte de trabalhadores e de empresas; (2) o reforço do nível de escolaridade e da qualificação profissional da população; (3) a introdução de métodos de gestão atualizados e diferenciadores no funcionamento das empresas; (4) a intensificação do “stock” de capital (técnico) do país com a realização de mais investimento inovador tanto pelo Estado como pelas empresas privadas induzindo, desta forma, a existência de um maior rácio “stock” de capital por horas trabalhadas. Ora, o historial mostra uma fraca intensificação de capital (técnico) em Portugal. Assim, por exemplo, o rácio de intensidade de capital foi de 51,2% e 43,6% em 2020 e 2019, respetivamente (média da UE-27=100%).
Concluindo, evidencia-se em Portugal nos últimos anos uma tendência de descida do PIB “per capita” (em PPC) e, logo, uma pioria do nível de vida (poder de compra) dos portugueses. Por sua vez, no contexto da UE-27, Portugal tem vindo a perder lugares ano após ano a favor de outros países-membros, nomeadamente de alguns países de Leste. Quer dizer, Portugal tem vindo a tornar-se relativamente mais pobre. Urge, assim, que a governação portuguesa atue visando contrariar essa tendência e, ao mesmo tempo, alcançar uma maior convergência com a média da UE-27. Para isso, será fundamental a tomada de medidas pela governação objetivando: (1) O aumento da produtividade do trabalho; (2) Uma maior escolaridade e qualificação profissional da população; (3) A implementação de métodos de gestão de empresas inovadoras e diferenciadoras; (4) Um maior nível de investimento interno permitindo uma mais elevada intensificação de capital (técnico) na economia portuguesa.

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