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Não devíamos estar a preparar-nos para a guerra?

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Não devíamos estar a preparar-nos para a guerra?

Escreve quem sabe

2024-04-13 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Muitos se lembrarão talvez do início do primeiro episódio da popularíssima série “A guerra dos tronos” (17/04/2011) em que Ned Stark, o chefe da casa de Winterfell, diz à sua mulher, Cat, no momento em que ela se está a opor veementemente a que o jovem filho de ambos, Bran, assista à execução de um desertor da “Patrulha da Noite”: “The Winter is coming” – frase que também dá título do episódio. “O inverno está a chegar” é um claro eufemismo para a proximidade de tempos perigosos que os Stark iriam enfrentar.
Saindo da ficção para a nossa realidade atual, há sinais que prenunciam que também para nós o inverno está a chegar, ou seja, que cada vez é mais provável que venhamos a ter um conflito bélico em larga escala – não necessariamente uma 3ª guerra mundial – entre a Federação da Rússia e a NATO.

O sinal mais evidente é, por certo, que a invasão da Ucrânia pela Federação da Rússia vá já no terceiro ano. Em fevereiro de 2020, quando começou, corria a notícia de que Putin pensava ocupar o segundo maior país da Europa (ainda assim apenas cerca de 1/6 do território da Rússia) em menos de uma semana. Soou a muitos a fanfarronice e o tempo veio confirmá-lo. Todavia, não menos jactante, percebe-se agora, foram as sanções financeiras e económicas anunciadas pelos países ocidentais para quebrar a Federação da Rússia, que não tiveram grande eficácia, porquanto o PIB russo aumentou consistentemente nos últimos dois anos.

A Ucrânia tem resistido com heroicidade e algum apoio militar ocidental, mas parece começar a aproximar-se do limite da sua resistência. “Slava Ukraini” (Glória à Ucrânia) e “Heroyam slava” (Glória aos heróis) já não se ouvem tanto ou com o mesmo vigor. Diversos líderes dos países ocidentais também exibem dificuldades crescentes em convencer as suas populações sobre a necessidade de transferir recursos para apoiar a causa ucraniana. Essa foi uma das habilidades calculadas de Putin: a guerra tem custos, mas manter a guerra distante também, e essa é a espécie de imposto que os países ocidentais estão a pagar, depauperando as economias nacionais.

Se a Ucrânia soçobrar, hipótese que o presidente Zelensky tem vindo a avisar como cada vez mais plausível, consequência de os países ocidentais estarem a desinvestir no seu apoio militar, isso trará novas ameaças para outros países na vizinhança, desde logo os bálticos e os escandinavos. É tempo, porventura, de começarmos a imaginar cenários que hoje consideramos pouco verosímeis. Correu uma notícia nos media, há alguns meses, que Putin estava a planear invadir e ocupar Portugal. Ela soou fantasista e atraiu chalaças. No entanto, se pensarmos que o nosso país virá a ter em breve uma área territorial a rondar os 4 milhões de km2 (incluindo os solos continental e dos arquipélagos atlânticos, a Zona Económica Exclusiva e a Plataforma Continental), 97% dos quais água, tornando-se assim no 11º maior país da Terra, talvez ela não seja assim tão descabida.

Se isso acontecesse, dirão alguns, estamos protegidos pela NATO, da qual somos membros fundadores. Porém, não estou certo de que, se um país dessa aliança militar for invadido pela Rússia, seja efetivamente apoiado pelos restantes parceiros. Suspeito que prevalecerá a lógica sacrificial para evitar que a guerra se alastre. Isso, claro, levará a uma desconfiança de todos em relação a todos e cada país a atuar de acordo com o salve-se quem puder. Ainda assim, recomenda a prudência que esperemos o melhor, preparando-nos para o pior, sobretudo se Donald Trump voltar a ocupar a Casa Branca em novembro próximo.

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