Correio do Minho

Braga, segunda-feira

No mau caminho

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2014-01-14 às 06h00

Pedro Sousa

Ontem passava nas televisões nacionais um estudo acerca da opinião dos Portugueses sobre os resultados da austeridade aplicada em Portugal nos últimos anos.
O resultado, sem surpresa, demonstrou que uma maioria bastante alargada dos Portugueses achava e acha que a austeridade em dose extra, a austeridade pela austeridade, a austeridade que este Governo fez, desde a primeira hora, a sua única cartilha de inspiração e intervenção é, claramente, rejeitada pelos Portugueses.

Dito desta forma, haveria, certamente, a tentação fácil de dizer que claro que os Portugueses rejeitam a austeridade. Quem quer sacrifícios? Quem quer ver descer o seu nível de vida? Quem quer passar por dificuldades? Ninguém.
Sucede que o estudo não era assim tão simplista e perguntava, também, aos Portugueses se achavam que a austeridade (ainda que não agrade a ninguém) estava a produzir, na sua opinião, resultados satisfatórios, resultados positivos para o futuro.

A esta questão os Portugueses responderam maioritariamente que não, que não sentiam que os sacrifícios estejam a valer a pena e que as políticas e as opções políticas deste Governo não têm sido justas e equitativas e que apenas nos levam “...de sacrifício em sacrifício”. Interessante, ainda, verificar que uma percentagem bastante alargada das pessoas entrevistadas dizia que o seu descontentamento se devia, sobretudo, não aos sacrifícios em si mas à injustiça na distribuição dos mesmos e à ineficácia na obtenção de resultados que nos permitam perspectivar num futuro pintado a esperança.

Parece-me que este sentimento tem sido reforçado de forma muito clara nos últimos meses em geral e nas últimas semanas em particular. A inconstitucionalidade do corte nas pensões obrigou o Governo a encontrar soluções e eis que, mais uma vez, quando a sua incompetência política se revela confrangedora, o Governo avança pelo caminho que lhe parece mais fácil.

Atacar os pensionistas, atacar quem trabalhou uma vida inteira e, por esse motivo, tinha, com todo o direito, o seu quadro de expectativas, atacar quem menos pode, atacar quem, muitas vezes, vive no fim das suas vidas em contexto de total abandono e solidão, atacar quem tem, não raras vezes, tem, em função do avançar da idade, despesas altíssimas com medicamentos e outras necessidades é de uma insensibilidade repugnante.

Ademais, importa dizer que é através dos Pensionistas, e do alargamento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que este Governo procura a solução para mascarar a incompetência das suas políticas, na exacta medida em que sabe ou desconfia que a capacidade destes rejeitarem e lutarem contra estas medidas será menor do que a de todos os outros.
Temos, assim, um Governo com um Primeiro Ministro que não ouve o País, o seu pulsar, o seu sentir e continua a sua deriva rumo à destruição.

Temos um Vice-Primeiro Ministro, irrevogável, que dizia que em relação aos pensionistas haveria linhas que nunca aceitaria ultrapassar mas que, hoje, em vez de fazer valer as suas posições (se é que as tem) anda a discutir se há-de ou não coligar-se com o PSD para disputar as eleições Europeias e Legislativas. A Juventude Popular, sempre perspicaz, diz que para reduzirmos o abandono escolar devemos reduzir a escolaridade obrigatória de doze para nove anos. Por sua vez, o Governo afirma-se, a cada dia, mais forte com os mais fracos e mais fraco com os mais fortes.

Exemplo disso é o negócio ruinoso da venda da Caixa Seguros ao Grupo Chinês Fosun. Ruinoso, sim. Ruinoso e por explicar, na medida em que estamos a falar de um dos poucos negócios de propriedade pública que apresentava lucros ano após ano.
O Governo vende ao desbarato os nossos melhores activos empresariais, incentiva a exportação dos nossos mais jovens, promissores e competentes quadros e castiga os nossos pensionistas, os meus Avós, os nossos Avós, de forma tão espúria como revoltante enquanto assobia para o ar e diz que estamos no bom caminho.

Não, esse não é o meu caminho. No meio de tudo isto, o meu único conforto passa por saber que, a cada dia, confirmo com mais força a certeza que esse também não é caminho da maioria dos Portugueses.

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