Correio do Minho

Braga, sábado

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Menina

Ideias

2018-12-15 às 06h00

António Ferraz

Olinguista, cientista político, filósofo, professor universitário e activista norte-americano Noam Chomsky é um dos mais prestigiados pensadores no mundo actual em vários domínios do saber. Em particular, Chomsky tem vindo a caracterizar-se por ser um forte crítico do funcionamento do sistema capitalista dominante (neoliberalismo) à escala global. Este pensador norte-americano procede a análise sobre as possíveis justificativas quanto ao surgimento da crise económica e financeira global de 2008 e, por via disso, tenta mostrar por que não vai ser fácil acabar com os efeitos que essa mesma crise gerou.
Para Chomsky:
(a) “a crise financeira de 2008 tem raízes mais profundas nas mudanças substanciais na economia capitalista que ocorreram na década de 1970 (com os choques petrolíferos de 1973 e 1979), acrescentando que se a partir daí se vem assistindo a uma cada vez maior desigualdade na distribuição da riqueza, da concentração do poder político e do controlo sobre a legislação num ciclo vicioso»;
(b) o que aconteceu é que uma parcela da sociedade, uma fracção mínima de 10% a 1%, tornou-se incrivelmente rica, mas para a maioria resta a estagnação ou até o declínio”. Chomsky pensa que as crises são projectadas para se repetirem, sendo uma pior que a outra e, em forma de crítica, aponta para o facto de “as crises do sistema atingirem apenas a população mais ou menos vulnerável, não os super-ricos, que estão muito bem”. Condena, ainda as políticas de austeridade prosseguidas por diversos países para ultra- passar os efeitos da crise global de 2008: “não resta muita dúvida que as políticas de austeridade “excessiva” não deveriam ter ocorrido. Em tempos de estagnação e recessão (económicas e políticas) serão prejudiciais”.

Por sua vez, com a crise global de 2008 e as convulsões que se seguiram em todo o mundo, o sistema financeiro teve que procurar novas formas de garantir seus lucros. Como? Fundamentalmente, precarizando o emprego e promovendo a ascensão eleitoral do populismo demagógico de extrema-direita, de que são exemplos, os Estados Unidos, vários países europeus como a Alemanha, Suécia, França, Áustria, Itália, Hungria e mundiais casos das Filipinas e do Brasil. Desta forma, Chomsky opõe-se às elites dominantes e às instituições internacionais como o FMI, Banco Mundial, e GATT (“Crescimento da extrema-direita é consequência do neoliberalismo”, Setembro de 2018).
N. Chomsky é, assim, tudo menos um pensador estanque num mundo em constante ebulição e progressão. Mas o que quer Chomsky?
No domínio político, social, económico e ambiental, Chomsky é um activista entendendo o homem não mais que uma peça mecânica numa sociedade, mas sim como alguém responsável livre e criativo o quanto baste para estar encarregue da economia e da sociedade e para se realizar.

Ora, para Chomsky a autonomia a assumir neste tipo de autogestão permite melhorar a satisfação de cada um pelo trabalho que realiza e estimular, por este meio, a realização pessoal e profissional, tornando-os menos automatizados. É também um socialista libertário dado que se opõe à posse privada na produção e na distribuição salarial, devendo estas duas actividades ser de competência apenas pelo trabalhador livre. De igual forma, o ambiente possui um papel nesta valorização política, em que a existência de forças económicas almejando o lucro perlo lucro penalizam e, de que maneira, a saúde ecológica à escala mundial.
Por outro lado, Chomsky pensa que a actual administração norte-americana de D. Trump não tem qualquer credibilidade em termos de política externa, considerando-a oposta às vantagens que poderiam resultar da existência de uma sociedade aberta. Considera que os Estados Unidos como uma força que visa o controlo político e económico em todas as suas acções internacionais, prioriza somente os seus próprios interesses. Este imperialismo silencioso, segundo ele, precisa de ser desmascarado e de ter um fim, a favor de uma política livre, aberta e agregadora, permitindo a saúde nacional e global.

Chomsky, em termos económicos sempre se mostrou reticente ao capitalismo e à corrida a um progresso material desenfreado e sem regras. Note-se que para ele é igualmente inaceitável acções que tragam o autoritarismo seja de extrema-direita seja de extrema-esquerda (“O isolamento dos Estados Unidos”, Janeiro de 2017).
Em suma, Chomsky acredita que nenhum país capitalista é totalmente democrático, uma vez que não inclui toda a gente na sua política pública e que privilegia a um certo número de cabeças chamadas de elites.

Para Chomsky o socialismo que preconiza só será realidade quando todas as instituições sociais, financeiras, comerciais e industriais estiverem sob a tutela de uma república federal que tenha como centro as diferentes comissões de trabalhadores activos e outras agremiações de auto governação nas quais cada cidadão tenha, na verdade, um papel essencial naquilo que é o presente e o futuro de todos. Muita da falta de equidade social, como sucede nos Estados Unidos resulta da existência de um bipartidarismo político voltados aos interesses lobistas e financeiros nacionais e internacionais.
Para Chomsky, apenas, pela cooperação entre todos é possível atingir a desejada equidade económica e social e fiscal, apresentado como exemplos, a luta pelas causas anti raciais, pelos direitos das mulheres e pelas justificativas quanto às intervenções bélicas nacionais.

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