Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Nobel da Economia de 2018, macroeconomia laureada

O CODIS fala

Ideias

2018-12-01 às 06h00

António Ferraz

No passado mês de Outubro a Academia das Ciências da Suécia distinguiu com o prémio Nobel da Economia dois macroeconomistas norte-americanos, William Nordhaus (n. 1941) e Paul Romer (n. 1955), pelos seus estudos e propostas que promovem a interacção entre a mudança climática, a inovação tecnológica, o crescimento económico sustentado (de longo prazo) e o aumento do bem-estar da colectividade.
Tradicionalmente, em Economia considera-se a existência de dois grandes ramos de saber: a Macroeconomia e a Microeconomia. A Macroeconomia aborda a economia global, a economia como um todo e, tem assim, uma visão agregada da realidade económica. Ao invés, a Microeconomia debruça-se sobre o comportamento dos agentes económicos individuais, os consumidores e as empresas, bem como o funcionamento do mercado, tendo, deste modo, uma visão atomística da realidade económica. Na verdade, esta partição é ilusória havendo uma clara interacção entre esses dois ramos do saber económico.
Ora, se nas últimas décadas o prémio Nobel da Economia foi atribuído maioritariamente a Microeconomia e a microeconomistas, agora, tem sido patente o aumento da importância da Macroeconomia e dos macroeconomistas em termos de distinção do prémio Nobel da Economia.
Mas, quais as principais contribuições daqueles dois laureados para o desenvolvimento da análise económica e, logo, para o progresso económico, social e ambiental a nível mundial?
Nordhaus destacou-se com os seus estudos e propostas que tem vindo a fazer há bastante tempo e onde enfatiza a associação entre as mudanças climáticas e o comportamento da economia global. Este macroeconomista foi mesmo o primeiro a elaborar um modelo quantificado mostrando a existência de uma relação estreita entre a economia e o clima, nomeadamente como a deterioração do clima e do meio ambiente tem um impacto altamente negativo no crescimento económico sustentado (de longo prazo) e no bem-estar da colectividade.
Como corolário das suas ideias preconiza como meio de combate mais eficaz aos efeitos nefastos causados pela emissão de gases de efeito estufa “a adopção de um esquema global de impostos sobre emissões de carbono que deverão ser aplicados de forma uniforme por todos os países”.
Romer tem vindo a sobressair-se desde os anos de 1990 ao desenvolver estudos e propostas acerca da integração do conhecimento, dos recursos humanos e das inovações tecnológicas no crescimento económico sustentado (de longo prazo) e no bem-estar da colectividade. Ou seja, este macroeconomista lançou os alicerces daquilo que se designou por “teoria do crescimento económico endógeno” e que foi seguido por muitos outros estudos de muitos outros autores sobre a regulação do mercado e a necessidade de implementação de políticas visando a dinamização da inovação e da criação de novas tecnologias, o que não deixaria de afectar positivamente o próprio crescimento económico e a prosperidade a longo prazo para as pessoas.
Em suma, os laureados pelo Prémio Nobel da Economia de 2018 distinguiram-se pelos seus estudos e propostas em áreas complementares, a saber:
(1) Nordhaus: sobre o impacto da mudança do clima na economia global e sua proposta de aplicação uniforme em todos os países de um imposto sobre emissões de carbono. Para o autor, tal facto, não inibe, a constante procura por outros cientistas de novas e eficazes soluções visando combater os danos ambientais da mudança climática e os seus efeitos perversos na economia global;
(2) Romer: sobre o papel do conhecimento, do capital humano e da inovação tecnológica para um melhor desempenho da economia global. Para o autor, pode-se associar crescimento económico endógeno a aumentos de escala do mercado, o que traria, por sua vez, aumento da rentabilidade, mais investimento, mais conhecimento e mais inovação, criando-se, assim, uma dinâmica própria (um ciclo virtuoso) de aumentos de produtividade e de crescimento económico.
Em ambos os casos são importantes os seus contributos para um melhor conhecimento do funcionamento da economia e as suas propostas de regulação do mercado e de adopção de políticas económicas: “que contribuíssem para uma melhor compreensão do funcionamento da economia global, dos seus eventuais desvios e, desta forma, de que medidas adoptar para se alcançar um crescimento económico sustentado (de longo prazo) da economia global e o aumento do bem-estar das colectividades.

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