Correio do Minho

Braga, terça-feira

Nos 130 anos da criação da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Ideias

2018-02-07 às 06h00

Rui A. Faria Viana

A Biblioteca Municipal tem uma história que remonta à segunda metade do séc. XIX. A sua fundação, em 16 de Fevereiro de 1888, surge na sequência da proposta apresentada em sessão de Câmara pelo vereador Dr. José Malheiro Reymão. Nessa sessão, deliberou-se «fundar uma biblioteca municipal, cujas vantagens são desde há muito reconhecidas e reclamadas por todos, solicitando-se do governo de Sua Majestade os volumes que ficaram do extinto convento das Ursulinas e bem assim os dos restantes conventos de religiosas deste distrito que ainda existem, devendo os destes últimos conventos serem entregues a esta Câmara à medida que os mesmos se fossem extinguindo». O núcleo bibliográfico inicial seria então constituído com base nos livros integrados na Fazenda Nacional na sequência do Decreto de 28 de Maio de 1834, da autoria de Joaquim António de Aguiar, que determinou a extinção de todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares, e do Decreto e Instruções de 31 de Maio de 1862, do Ministério e Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, que regulou a execução da Lei de 4 de Abril de 1861, na qual os conventos femininos de Portugal foram extintos por óbito da última religiosa professa.

Segundo Júlio de Lemos, houve iniciativas anteriores com o mesmo intuito que acabaram por não vingar. Uma de 1876, do Governador Civil Joaquim Cabral de Noronha Meneses, para salvar os livros das extintas casas religiosas que «por mais de quarenta anos se mantiveram ali, no chão, no razo das últimas celas do nascente do convento de S. Domingos» (In José Caldas História de um Fogo Morto. 2.ª ed. 1919, p.719) e que constituiriam o início de uma biblioteca municipal; e outra de 1858, pensada a partir dos «despojos daquelas livrarias monásticas», da iniciativa do ilustre vianense José Barbosa e Silva, amigo de Camilo Castelo Branco, com o objectivo de o colocar na sua direcção. Júlio de Lemos considera, também, erradamente na nossa perspectiva, como iniciativa falhada a criação da Biblioteca Municipal na sessão de Câmara de 16 de Fevereiro de 1888, por não ter sido inaugurada e devidamente instalada mas, uma coisa é a criação por acórdão de Câmara, que de facto aconteceu, outra é o funcionamento adequado depois de organizada. (ver: Júlio de Lemos A Biblioteca, o Museu e o Arquivo de Viana do Castelo. 1978, p. 15).

Após a sua fundação, acordou-se na sessão de Câmara de 9 de Maio de 1888, que na falta de edifício próprio os livros da Biblioteca Municipal seriam depositados na biblioteca do Liceu Nacional a funcionar desde 1855 no Palácio dos Cunhas, à rua da Bandeira. Nessa sessão o presidente propôs que a Câmara pedisse à Junta Geral do Distrito «um subsídio anual de 200$000 réis» destinado a comprar «obras literárias sobre história, geografia, marinha, artes e ofícios» e também pudesse ser aplicado no gabinete de Física do Liceu. Foi também proposto solicitar ao governo «exemplares das obras em duplicado existentes no depósito da Imprensa Nacional, e se faça apelo aos munícipes e nossos compatriotas do Brasil pedindo-lhes que auxiliem o nosso simpático intento». Nesse mesmo ano, na sessão de Câmara de 20 de Dezembro, reconhece-se a necessidade de nomear um responsável pela Biblioteca e Museu, criado logo a seguir à Biblioteca, na sessão de Câmara de 9 de Maio de 1888, por proposta do presidente Luís de Andrade e Sousa. Com a finalidade de principiar o trabalho de catalogação dos livros e objectos de valor arqueológico ou artístico já existentes foi nomeado o Dr. Luís de Figueiredo da Guerra vindo, deste modo, a desempenhar o cargo de primeiro bibliotecário.

Sob a presidência do P.e Rodrigo Fernandes Fontinha a Câmara Municipal decide instalar a biblioteca pública no rés-do chão dos Paços do Concelho. Finalmente era inaugurada e aberta ao público na sala das Comissões desse edifício, à Praça da República, no dia 3 de Novembro de 1912, depois de receber a biblioteca particular do benemérito José Malafaia e de ser transferido do Liceu o núcleo bibliográfico inicial, constituído por ofertas e aquisições que vinham ocorrendo desde a criação da Biblioteca em 1888.

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