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Novas formas de trabalho

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Novas formas de trabalho

Ideias

2020-04-18 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

A situação de emergência da Pandemia Covid-19, que obrigou ao isolamento social e a medidas extremas de confinamento, tem revelado novas formas de trabalho (e ensino) à distância. Aliás, um modelo de trabalho na era digital que já se preparava através de diversos programas europeus e nacionais, não por motivos de emergência, mas como resposta natural à era da digitalização da economia, da designada Indústria 4.0 (também designada a Quarta Revolução Industrial).

A Indústria 4.0 significa a transformação digital, baseada no desenvolvimento de tecnologias que permitem mudanças disruptivas nos modelos de negócio, nos processos e nos produtos. Integra o conjunto de tecnologias inteligentes de materiais, de conectividade e de tratamento e armazenamento eletrónico de grandes volumes de informação. Carateriza-se pela introdução de um conjunto de tecnologias digitais nos processos de produção, que permite acompanhar em tempo real tudo que é relevante.

A situação de pandemia veio acelerar o processo de utilização em massa das tecnologias digitais e até obrigar a que empresas menos preparadas tivessem de se adaptar, na medida do possível, para proporcionar a situação de teletrabalho e continuar com alguma atividade económica. Colocam-se assim novos desafios como a gestão do tempo de trabalho, flexibilidade geográfica, o local de trabalho, eventual precarização das condições de emprego e também problemas ligados à compatibilização entre a atividade profissional e a vida pessoal e familiar dos trabalhadores.

O nível de competências (sobretudo digitais) da população tornou-se agora de importância crucial. Mas também mostrou um país ainda com muitas famílias sem recursos tecnológicos (como um mero computador e acesso wifi capazes de servir para o processo de ensino à distância).
O investimento na Educação e na Formação para o desenvolvimento de competências é essencial para estimular o crescimento e a competitividade: as competências determinam a capacidade de Portugal para aumentar a produtividade. A longo prazo, as competências potenciam o desencadear de inovação e crescimento, fazer aumentar a produção na cadeia de valor, estimular a concentração de competências de nível mais elevado e modelar o mercado de trabalho no futuro.

Cada vez mais, as pessoas precisam de dispor de uma série de competências que vão das competências de base, tais como literacia, numeracia e digitais, a competências profissionais ou técnicas assim como empresariais e transversais, tais como línguas estrangeiras ou a capacidade de aprender e tomar iniciativas.

Tornam-se, assim, mais relevantes programas como o que a Comissão Europeia desenvolveu - Quadro Europeu de Competências Digitais para os Cidadãos (DigComp) que se divide em cinco áreas: literacia de informação e de dados; comunicação e colaboração; criação de conteúdos digitais; segurança; e resolução de problemas. Em Portugal foi lançado o Quadro Dinâmico de Referência de Competência Digital (QDRCD), um instrumento de avaliação das aptidões digitais da população. Baseado no DigComp da UE, o QDRCD pretende apoiar a definição de políticas e estratégias, permitindo um mapeamento de competências digitais em articulação com outros referenciais; desenhar programas de educação, de formação e de competências de empregabilidade; e ainda avaliar e certificar competências.
Vivemos na era digital, na era da nanotecnologia, da robótica e da inteligência artificial. Com a combinação de tecnologias, da área da microeletrónica e da robótica, e da biologia com o mundo digital, a Quarta Revolução Industrial terá o potencial de criar uma gama infinita de novos produtos ou serviços, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos.

As preocupações relacionadas com a diminuição dos custos de exploração das PME, e com a necessidade de criação de produtos diferenciados de valor acrescentado para uma maior competitividade, são desafios evidentes, em particular nas PME.Torna-se, assim, cada vez mais crucial a implementação de medidas e programas de capacitação das PME através de um reforço mais efetivo das competências digitais necessárias para fazer face aos novos desafios e fatores críticos de competitividade, em particular no domínio da inovação tecnológica associada aos processos de transformação digital no âmbito da Indústria 4.0.

O Programa Europa Digital proposto pela Comissão Europeia vai ter um financiamento de 9,2 mil milhões de euros (2021-2027). O objetivo é assegurar que todos os Europeus têm as ferramentas e as infraestruturas necessárias para responder ao largo espectro de desafios tecnológicos da vida pessoal e profissional. O programa Europa Digital é um novo programa que faz parte do capítulo sobre o “Mercado Único, Inovação e Digital” da proposta de orçamento da UE a longo prazo. Trata-se de parte de uma estratégia para continuar a desenvolver o potencial tecnológico do mercado único digital, que poderá acrescentar anualmente 4 milhões de postos de trabalho e 415 mil milhões de euros à economia da UE.

A Comissão Europeia propõe que para além do programa Europa Digital, será necessário prosseguir e reforçar o financiamento da investigação e da inovação no domínio das tecnologias digitais da próxima geração, no contexto do próximo quadro financeiro plurianual, através do novo Horizonte Europa. Os dois programas funcionarão em conjunto contribuindo para futuras atividades de investigação no domínio da inteligência artificial, da robótica, da computação de alto desempenho e dos megadados.

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