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Novos alunos: o desafio da integração

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Novos alunos: o desafio da integração

Voz às Escolas

2020-02-03 às 06h00

Maria da Graça Moura Maria da Graça Moura

A presença de alunos imigrantes nas escolas portuguesas tem vindo a assumir uma dimensão cada vez maior. Em Braga é inegável o aumento de alunos de diversas nacionalidades integrando o sistema de ensino. É rara a semana em que o Agrupamento de Escolas André Soares não se confronta com a chegada de novos alunos provenientes de diferentes países, principalmente, nesta fase do ano, do Brasil, dado que aí, o ano escolar termina em dezembro. Com as turmas já superlotadas, os constrangimentos são de vária ordem - organização de processos, atribuição de manuais escolares, atenção redobrada na necessidade de articular respostas eficazes de integração. Os currículos não são iguais e, apesar termos a mesma Língua, a barreira linguística mantém-se, pois os alunos vêm de zonas muito diferentes do Brasil em que a entoação, dicção, sonorização e articulação é diferente.

As causas das migrações são muito diversas, desde motivações pessoais a fatores sociais, económicos ou outros. No entanto, pelos relatos pessoais, nos casos concretos de famílias com filhos em idade escolar, realçam razões de insegurança e a procura de um ensino público de qualidade para os filhos como fundamento para a decisão de emigrar e arriscar a mudança transatlântica de morada. Este capital humano que tem chegado à nossa cidade tem contribuído de forma muito positiva para a revitalização demográfica, para o crescimento e desenvolvimento económico, social e urbano, mas para potenciar este impacto benéfico é necessário concertarmos políticas integradas de inclusão. São visíveis os esforços que se têm feito quer a nível nacional, quer a nível das escolas, no âmbito da autonomia e flexibilidade curricular e adequando os planos de atividades, no sentido de acolher o melhor possível a população imigrante. Mas não chega!

Apesar de se sentir que a diversidade cultural valoriza a dinâmica escolar, é urgente reforçar os agentes socioculturais nas escolas e apostar em orientações e formação a pessoal docente e não docente centrada em temáticas relativas à gestão da diversidade, práticas interculturais e diferenciação curricular. Os professores revelam dificuldades em recorrer a práticas pedagógicas diferenciadas para gerir turmas com alunos de origens diversas e diferentes níveis de proficiência linguística, os planos curriculares não ajudam a encontrar respostas adequadas à diversidade de alunos da mesma turma, é necessário mediadores e até tradutores que ajudem a integrar os alunos recém-chegados e que façam pontes com as suas famílias para as contextualizar no nosso plano de estudos, nas orientações pedagógicas e curriculares e na melhoria da comunicação entre a escola e a família.
Prestar um ensino de qualidade, dotar todos os alunos de competências de cidadania e valorizar o enriquecimento cultural com o processo de acolhimento é o grande desafio que temos diariamente num compromisso de transformação do fenómeno da migração numa gratificante experiência educativa para todos.

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