Correio do Minho

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Novos Desafios do Escutismo (V)

A velha e a muda

Escreve quem sabe

2015-01-23 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Dando continuidade aos artigos publicados nos últimos três meses do ano passado, sob o título: Novos Desafios do Escutismo, onde me detive, ainda que sumariamente, sobre a problemática: das novas questões de género, do espaço interclassista e transgeracional, das (in)tolerâncias pessoais, sociais e religiosas, do fenómeno da globalização, do sentimento ambientalista e de defesa do património natural, das práticas de cidadania e de autogovernação, da atualização das suas propostas mantendo a dialética riqueza e simplicidade e da tendência galopante da escolarização, pelo que, hoje, procurarei enquadrar os dois últimos temas desta série mantendo a ordem sequencial para que autor e leitor não percam as referências com o passar do tempo entre artigos.

9. O mercantilismo crescente
A educação, ao longo dos tempos foi absorvendo teorias aplicáveis a outras áreas do saber e atividades do ser humano. Algumas são pontuais no tempo, uma espécie de moda localizada, que se perdem na linha do tempo que passa, mas outras têm uma resistência impressionante e que, quando abandonadas, vão emergindo sob outras visões aparentemente retocadas aos novos tempos, mas mantendo sempre as mesmas essências. O mercantilismo é uma destas teorias cuja resistência parece ser infinita e tem estado permanentemente ativa. Ora uma teoria que privilegia “o ter” procura influenciar os contextos educativos para criar necessidades e seguidores, com ideias que isoladamente parecem irrefutáveis, mas quando olhamos para as consequências apercebemo-nos que, as competências apregoadas como imprescindíveis à realização do ser humano, enfocaram apenas uma vertente do mesmo, esquecendo que o Homem é um ser, bem mais complexo do que alguém que “tem”. Há outros verbos que é necessário conjugar como: “partilhar”, “redistribuir”, “solidarizar-se” e “viver com e para os outros”, para que no final a trilogia do “saber”, do “saber fazer” e do “ser” seja sempre enfocada pela vivência dos valores sociais e humanos consagrados nos diversos documentos das Nações Unidas, de tal forma que esta “mistura” na dosagem certa promova o cidadão de “corpo inteiro”, consciente da importância que tem para os outros e que os outros têm para ele. Só uma visão humanista da educação pode garantir um mundo melhor para todos.

10. A defesa de grandes causas
Um movimento educativo onde a educação pela ação, o aprender fazendo e a gestão democrática participada pontuam, tem que conduzir à vivência de experiências impregnadas de valores humanistas.
Por isso, deve procurar ancorar os percursos educativos em momentos fortes de mobilização indiscutível, isto é, de grandes causas, mas estas têm de abranger diversas áreas da atividade humana, para que se desenvolva, nas crianças e jovens, um espírito de abertura sensível às necessidades dos outros, sejam eles nossos vizinhos ou profundamente desconhecidos.
Tal como, quando começamos a falar ou a andar, aprendemos a dizer algumas palavras ou pequenos passos, e depois o hábito, leia-se a experiência, vai consolidando e aperfeiçoando, também nesta área teremos que desafiar crianças e jovens para pequenas causas, que por isso mesmo são acessíveis e motivadoras pois permitem uma realização pessoal e uma aprendizagem de vivência, simples é certo, mas que se vão interiorizando e que ao fim de algum tempo, esperamos todos, se vão assumindo como atos normais nas nossas vivências quotidianas.
O Escutismo designa estas vivências como «a Boa Ação» quotidiana, que assim se vai inscrevendo no ADN de cada escuteiro e que, por ser diária tende a assumir um relevo nas nossas vidas marcado por uma importância gradativa. «Boa Ação» ainda por referencia à atitude do Samaritano face ao ser humano espancado pelos assaltantes, para, a todos lembrar, que a «Boa Ação» deve espelhar o amor aos outros e não o amor a nós próprios. Sá assim as «Grandes Causas», cuja grandeza é dada pelo benefício que o outro ou os outros recebem, são realizáveis com a naturalidade e simplicidade do respirar: mal se nota, mas é imprescindível à vida.

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