Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Num galope muito (in)seguro

Um convite da Comissão Europeia para quem gosta de línguas

Ideias Políticas

2016-02-02 às 06h00

Hugo Soares

Quando em 2011 Portugal enfrentou a necessidade de um resgate externo, ficou claro para todos (e da pior forma possível) a necessidade de um País ter as contas públicas controladas. Quem gasta o que não tem e acumula dívida para financiar défice sabe que um dia enfrenta a bancarrota. Esse é o momento em que os credores deixam de acreditar que vão ser ressarcidos; esse é o momento em que ninguém mais empresta dinheiro; é o momento em que deixamos de ser credíveis. Foi a essa circunstância a que Portugal chegou em Maio de 2011.

Nos últimos 4 anos, os Portugueses enfrentaram uma das maiores crises financeiras, sociais e económicas de que há memória. Com uma carga fiscal no limiar do suportável, com cortes de salários e pensões, com redução de prestações sociais e racionalização de serviços públicos, Portugal sofreu os efeitos de vários desmandos feitos no passado.

Felizmente, a determinação de um povo e a coragem e a competência de um Primeiro-Ministro derrotaram a bancarrota, despediram a Troika e colocaram o país a crescer e a criar emprego. De 2011 a 2015, Portugal reduziu o défice orçamental de cerca de 11% para 3%! De 2011 a 2015, Portugal colocou uma economia em recessão a crescer! De 2011 a 2015, Portugal voltou a criar emprego! De 2011 a 2015, Portugal recuperou a credibilidade externa e voltou a financiar-se nos mercados com naturalidade e a juros comportáveis. De 2011 a 2015, os Portugueses viram o seu rendimento recuperar com a devolução de parte dos cortes salariais e dos cortes das pensões.
Chegamos a 2016.

Em 2016, com um novo governo, suportado numa maioria parlamentar de esquerda radical que é antieuropeísta e cuja receita levou a Grécia ao terceiro resgate da Troika e a uma austeridade sem par, Portugal parece viver um capítulo que queria esquecer. António Costa apresentou um draft de orçamento que é tudo menos credível, prudente e responsável. As diversas agências de rating, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, o Conselho de Finanças Públicas e a Comissão Europeia duvidam do documento apresentado.

Duvidam por não acreditarem nas previsões, não acreditam nas políticas e rejeitam as soluções técnicas. António Costa consegue, num mês, desbaratar todo o capital de confiança que Portugal havia ganho e arrasta o nosso país paras as primeiras páginas dos jornais internacionais pelas piores razões. Enquanto isso, assobia para o lado, finge que está tudo bem e culpa tudo e todos pelos seus males. Portugal não precisava disto. E os portugueses não mereciam seguramente isto.

O PS e António Costa têm até quinta-feira a oportunidade de refazerem o Orçamento e de lhe dar a credibilidade e o realismo que todos exigem. Se assim não fizerem, Portugal poderá viver momentos muito difíceis novamente.
Eça escreveu, um dia, que íamos num “galope muito certo e seguro” a caminho da bancarrota…

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