Correio do Minho

Braga, sábado

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Numa encruzilhada política

E no fim poderá ganhar (sempre) a Europa!

Ideias

2013-03-24 às 06h00

Felisbela Lopes Felisbela Lopes

Não são fáceis os tempos que atravessamos. O Governo insiste em passar uma mensagem de determinação, apesar daquilo que foi a sétima avaliação da troika, apesar daquilo que irá ser a decisão do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento do Estado. O PS diz que vai apresentar uma moção de censura ao Governo, embora não queira eleições para já. O Presidente da República anda ausente, ainda que o clima partidário pareça estar a entrar em colapso. A esquerda não consegue fazer agendar qualquer alternativa, se bem que tenha todo o espaço social para fazer valer as suas causas.

“Uma tragédia para o país”. Era assim que ontem Teresa Leal Coelho, uma das vice-presidentes do PSD falava, em declarações ao “Público”, de um cenário de eleições antecipadas. “Não é agora que este Governo vai vacilar”, dizia sexta-feira, na Assembleia da República, Passos Coelhos durante o debate quinzenal. A estratégia é clara: passar para o espaço público a ideia de que o Governo está determinado em manter a estabilidade política. No entanto, em surdina, há vários ministros que reconhecem que o executivo começa a dar sinais de grande desgaste. Na edição de ontem do “Expresso”, escrevia-se que há ministros que não disfarçam o desejo de ver este ciclo legislativo interrompido.

Ora, não será a moção de censura prometida pelo PS que irá derrubar o Governo. Já se sabe que, nesta matéria, a maioria PSD/CDS segurará sempre o executivo, mas é verdade que esta iniciativa parlamentar marca a ruptura definitiva entre o maior partido da oposição e este elenco governativo. “Mais do que um ponto de chegada, será um ponto de partida”, anunciou já o secretário-geral do PS que ainda não disse para quando essa moção será agendada. “Para breve”, respondeu aos jornalistas do “Público”. Esta indefinição temporal permite ao Partido Socialista manter-se na agenda com uma matéria que provoca desgaste ao Governo e, ao mesmo tempo, adaptar-se ao calendário do Tribunal Constitucional cujo anúncio da decisão quanto à (in)constitucionalidade do Orçamento do Estado deve estar para breve. Adicionalmente, esta iniciativa parlamentar poderá ajudar a neutralizar o reaparecimento de José Sócrates como comentador político da RTP. Esta inesperada aparição do ex-primeiro ministro, ao contrário do que se poderia pensar, não vai ajudar António José Seguro. Pelo contrário. Semanalmente haverá um espaço televisivo a relembrar que a crise é também uma herança do PS.

Do Tribunal Constitucional poderá vir a temida bomba atómica. Na edição de sexta-feira, o “Sol” anunciava um “orçamento chumbado”, assegurando que as normas consideradas inconstitucionais podem representar mil milhões de euros. Ontem, o JN apresentava vários cenários para esta crise: remodelação do Governo, demissão do primeiro-ministro, intervenção do Presidente da República. Qualquer uma destas possibilidades significa que tudo corre mal. E, neste contexto, os partidos de esquerda também não se assumem como alternativa credível.

Olho para a política nacional e, enquanto cidadã, sinto-me também à deriva. Num momento vital para o país, em que todos vivemos preocupados com o futuro, não se consegue enunciar meia dúzia de nomes de políticos competentes. E isso é grave. Muito grave.

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