Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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O 39.º CDN

A recuperação das aprendizagens

Ideias

2015-05-29 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Terminou no passado dia 8 de Maio em Lisboa a edição de 2014-15 do Curso de Defesa Nacional que tive o privilégio de realizar. Foram seis meses de intensa inquirição e debate de problemáticas relativas à segurança e à defesa.
Promovido pelo Instituto de Defesa Nacional, entidade pública tutelada pelo Ministério da Defesa Nacional, o CDN é muito possivelmente o melhor programa de estudos avançados do país - conferente do título de auditor de defesa nacional - em matéria de pensamento estratégico nos referidos domínios.

Nele tomaram parte quadros superiores e dirigentes das estruturas do Estado e da Sociedade Civil, assim como individualidades com currículos profissionais de mérito, selecionados não somente pelo elevado interesse e sensibilidade demonstrados em relação a questões de segurança e de defesa nacional, mas também por ocuparem posições na estrutura social com maior potencial para gerar o envolvimento de mais cidadãos nas mesmas.

A visão larga e proléptica do diretor do IDN, Major-General Vítor Viana, a alta competência científica e pedagógica da diretora do CDN Professora Doutora Isabel Nunes van Nieuwburg, o inteiro profissionalismo organizativo dos subdiretores Coronel Coutinho Rodrigues (em Lisboa) e Tenente-Coronel Paulo Lourenço (na delegação do Porto), os multiscientes oradores (em número superior a 150) e as invulgares qualidades de 48 colegas auditores concorreram para tornar esta edição do CDN uma experiência de inestimável valor pessoal e, estou certo, inolvidável para todos.

Ao longo de 26 semanas, um impressionante rol de temáticas relativas à segurança e à defesa foi percorrido - nos planos conceptual (e.g., estratégia vs. tática; defesa vs. segurança), internacional (e.g., a Comunidade Transatlântica; as fronteiras da segurança da Europa) e nacional (e.g., linhas-mestras da política de segurança e defesa; políticas governamentais) - e um conjunto de instituições pátrias visitadas - sedeadas no continente (Base Aérea n.º 6 no Montijo, Unidade Especial da PSP em Belas, Assembleia da República, Campo Militar de Santa Margarida, Autoridade Nacional de Proteção Civil, Escola Prática da GNR em Queluz, Base Naval no Alfeite) e na Região Autónoma da Madeira (Comando Operacional, Assembleia Legislativa Regional, Representante da República) - e europeias (Parlamento Europeu, REPER, Quartel-general da OTAN; todas em Bruxelas).

Justifica-se este investimento na formação de auditores de defesa nacional da parte do Estado português, que, segundo as minhas contas terá, por alto, um custo financeiro individual a rondar os 10.000 euros? Estou inclinado a dizer que sim. É verdade que, como relatou um auditor do CDN de 1990 (http://aesmo.no.sapo.pt/cdn_90.htm), as motivações de alguns que o procuram e frequentam - entrar numa espécie de clube seleto de bons contactos para fomentar negócios e acelerar subidas na escada do poder, recrutar de modo dissimulado agentes para organizações que gostam de permanecer discretas, terminar em beleza uma carreira no funcionalismo público, aproveitar um folga de luxo ganha a troco do zelo obediente a algum governante ministerial, usufruir de uns programas turísticos e gastronómicos no país e no estrangeiro - podem suscitar algumas dúvidas. Mas, numa perspetiva benévola, sempre se espera que aqueles que detêm elevadas responsabilidades na direção da coisa pública, privada ou militar, após o CDN estejam mais cientes da tessitura orgânica e institucional da nação e mais bem preparados para atuar e pensar em premências de segurança e defesa lusas.

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