Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O 70.º aniversário do Agrupamento de Ferreiros

O Estado da União

Escreve quem sabe

2014-06-21 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Ao preparar-se para celebrar, em agosto próximo, os 70 anos da fundação do Agrupamento de Ferreiros, na altura a unidade orgânica tinha a designação de “Grupo”, não resisto a transcrever a ata fundacional: «Aos seis dias do mês de Agosto de 1944 com a assistência de Sua Excia.

Revma. o Senhor Arcebispo Primaz, Assistente Nacional do C.N.E., inaugurou-se solenemente nesta freguesia de Ferreiros o Grupo nº 104 com o nome: D. Manuel Vieira de Matos, assistiram a este acto, além da Junta Regional de Braga, muitos Escuteiros de Braga, Barcelos e Guimarães e outras localidades.

(...) A freguesia esteve bem representada à parte as autoridades civis paroquiais sempre avessas a todas as iniciativas católicas. Sua Excia. Revma. [Dom António Bento Martins Júnior] teve palavras de parabéns incitamento aos nossos rapazes. A direcção ficou assim constituída: Assistente: o pároco - Pe. Francisco Marques. Secretário: António Gomes Barbosa e ficou interinamente a desempenhar as funções de Chefe o António Ferreira Lima».


A ordem de serviço nacional número 94, publicada na revista “A Flor de Lis”, do dia 1 de setembro de 1944, filia esta unidade e consagra, de forma definitiva, a equipa de chefia.
Ao celebrar o 70º aniversário, sob o lema “Fidelidade às Origens” queremos, antes de mais, agradecer à primeira chefia e aos outros adultos e jovens que os acompanharam nesta aventura educativa, com setenta anos, pela ousadia e pela persistência que sempre manifestaram, pelo exemplo de vida que nos deixaram e que perdurará na história do Agrupamento e na vida de tantas mulheres e homens de hoje.

É certo que quase todos já partiram para o eterno acampamento, mas o Campo que montaram há 70 anos continua vivo e com o espírito de serviço aos outros. Aprofundar esta dimensão social do Agrupamento é a nossa dívida de gratidão que assumimos como herança e que queremos honrar para que, nas bodas de diamante e, mais tarde, no centenário, todos nós, os que ainda cá estiverem e os que na altura liderarem o Agrupamento, possamos reviver esse momento mágico da criação do Grupo 104 - D. Manuel Vieira de Matos.

Tendo ingressado na Alcateia (nome atribuído à Secção destinada às crianças dos seis aos nove anos de idade) deste Agrupamento, no ano de 1962, sinto que a sociedade mudou e que ao escutismo foi exigida a capacidade de ler os sinais dos novos tempos (e quantos novos tempos houve!) e de se adaptar às novas realidades emergentes. Foi esta maneira de ser e de estar que os fundadores nos legaram com as suas vidas simples, mas revestidas de uma riqueza de serviço quotidiano imensurável, que tem permitido esta linha serena de afirmação constante do escutismo na nossa comunidade.

Já há muito tempo que seria impensável o desabafo que consta da primeira ata quanto ao envolvimento das autoridades na criação do Agrupamento, felizmente que, ao longo dos tempos, todos souberam fazer um caminho de aproximação que nos levou a um clima de cooperação institucional e pessoal entre órgãos e titulares dos mesmos.

“Fidelidade às Origens” conduzir-nos-á a redescobrir os valores de sempre da “Boa Ação”, instrumento fundamental na educação do exercício da cidadania solidariamente ativa e no serviço gratuito aos outros, fortalecendo, com as experiências de vida, o carácter e a personalidade humanista dos jovens, garantido um futuro mais humano, mais solidário e mais justo, honrando, pelo nosso trabalho, as memórias de todos aqueles que nos antecederam e que merecem ser «da lei morte libertados»!

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