Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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O associativismo estudantil e a responsabilidade social

O espantalho

Ideias

2017-05-07 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Maio é o mês das festas académicas. Todas as instituições de ensino superior do país acolhem um conjunto de manifestações marcadas pela tradição. Uma dinâmica desenvolvida pelo associativismo estudantil, que merece uma atenção pelo seu significado e alcance social, no contexto da vida interna das instituições do ensino superior e da sua relação com a sociedade. Formas de representação com grande diversidade, que envolvem grandes equipas de estudantes em torno de programas de grande dimensão, marcadas pela independência e pela autonomia das sucessivas gerações de dirigentes associativos, fortemente determinados em participar, na sua preservação, modernização e melhoria contínua.

Um sonho permanente de criar um futuro diferente, e de garantir a sua sustentabilidade, tentando fazer cada vez melhor, a cada ano que passa, com base nas novas tendências, nos novos desafios e tentando ir ao encontro dos interesses dos estudantes. Um desígnio associativo, vocacionado para a construção de uma vivência académica inclusiva, apesar de todas as polémicas que têm vindo a lume em torno das tradições académicas. Crispação que as organizações estudantis têm conseguido ultrapassar, adotando uma postura de grande concertação com os órgãos de governo das instituições de ensino superior e do poder central.

Prática de concertação que está na ordem do dia, a avaliar pela postura colaborativa entre as associações estudantis e juvenis em contexto académico, no processo de desenvolvimento e gestão dos gabinetes de empreendedorismo, empregabilidade, voluntariado, relações estudantis, e outras estruturas criadas no seio das instituições de ensino. Uma cultura de cooperação que se consubstancia no âmbito das estruturas instituídas pelos órgãos de governo das universidades e institutos politécnicos, das organizações da iniciativa exclusiva dos estudantes e das iniciativas de parceria com as estruturas de apoio académico e social aos estudantes.

Assumindo-se cada vez mais, como um parceiro social de corpo inteiro, o movimento associativo tem concorrido de forma determinante, para a coesão institucional com base numa participação cívica cada vez mais efetiva, em relação às políticas públicas de ensino superior, ao nível da oferta formativa, da qualidade e avaliação, do financiamento, da ação social escolar, da investigação, da inovação, da internacionalização, da dinamização cultural, recreativa e desportiva das academias.

Uma responsabilidade, que os jovens estão a assumir, por outro lado, no âmbito da apresentação de propostas, da organização de conferências, seminários, congressos, feiras de emprego, mostras tecnológicas e do apoio ao empreendedorismo, com resultados diretos na promoção da empregabilidade e da ligação com os agentes empregadores. Um contexto, onde o empreendedorismo, o apoio social interno e a ação de solidariedade externa junto de populações e famílias carenciadas, têm vindo a assumir uma centralidade cada vez mais forte da sua missão, numa dimensão clara de responsabilidade social.

Um tema estratégico que as instituições de ensino superior colocaram no centro das suas preocupações, e no contexto da sua responsabilidade social. Desde o apoio interno aos estudantes mais vulneráveis, combatendo todas as formas de discriminação ou exclusão social, até à prestação de serviços à comunidade, de promoção do voluntariado cívico e social, incluindo estas iniciativas no processo de certificação no âmbito do suplemento ao diploma.

Muitos são os caminhos para afirmar a importância desta dimensão. Alertando para a necessidade de se aprofundarem as redes de colaboração entre as Instituições de ensino superior e as associações de estudantes, potenciando experiências e programas existentes e criando ideias novas com base na participação ativa dos estudantes, em que o “ComSUMOS Académicos“, entre muitos outros, é um bom exemplo. Um projeto de responsabilidade social do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) e das organizações de estudantes do ensino superior na área dos estilos de vida saudáveis, vocacionado para a prevenção do consumo nocivo de álcool e promoção do desporto e exercício físico no ensino superior.

Um ecossistema socialmente responsável, que se está afirmar e tem resultados visíveis. Na promoção da participação dos estudantes e dos diplomados, cujo retorno já é visível e, reivindica um estudo mais aprofundado. Visibilidade que se revela pela “revolução silenciosa”, empreendidas pelos jovens nos mais variados contextos académicos, que se assumem como imagens de marca das respetivas instituições de ensino superior.

Um modelo de responsabilidade social alargado à participação ativa dos estudantes, que contempla uma participação social solidária, traduzida na criação de conhecimentos e processos participativos, incrementando comunidades de aprendizagem mútua e de formação da cívica, no sentido de difundir um conjunto de princípios e valores, a partir de atividades que integram a missão do associativismo estudantil.

Neste contexto, as festas académicas são caminho para uma sociedade sustentável, que requer uma nova perspectiva sobre as decisões e ações de todos os agentes sociais, sendo possível, a partir desta ideia, compreender que o associativismo estudantil é também um agente de transformação social, e que não há nada como o sonho de criar o futuro, por um compromisso de cidadania solidária.

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