Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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O acampamento escutista

Chegou uma banda desenhada de sucesso...

Escreve quem sabe

2012-06-15 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

“Há quem fale da rudeza do acampamento.
(...)
O explorador veterano é fértil em recursos e não há dificuldade ou privação que não remedeie”

Baden-Powell, in Escutismo para Rapazes (p.133)

Sendo o escutismo um movimento de juventude e de educação não formal, Baden-Powell poderia ter escolhido para lançar este movimento, o momento da publicação do primeiro fascículo do “Escutismo para Rapazes” ou um outro momento outro social. Mas não, o fundador quis que o início do movimento ficasse ligado, para sempre, à atividade de referência da ação educativa escutista: o Acampamento, e assim, a data do primeiro acampamento, realizado na ilha de Brownsea, em 1907, foi consagrada como a data de fundação deste movimento universal.

Assim, a vida em campo tor-nou-se, desde logo, a atividade escutista de referência, por se um espaço de afirmação das potencialidades de cada um, e do coletivo que todos constituem. Esta vida em comunidade permite usufruir de uma vida simples, que exige vigor e esforço. Este cantinho da Natureza, transforma-se no espaço da Patrulha ou Equipa, sendo harmoniosamente preparado para um conforto singelo, graças à capa-cidade empreendedora dos jovens que: imaginando, inventando e criando, dão um novo enquadramento à vida natural.

Nesta “construção do Campo”, todos os materiais locais, ricos ou pobres, têm a sua utilização e função, o campo é construído, depois de uma longa, cuidada e progressiva preparação e planificação, com a habilidade manual, com a inteligência, mas sobretudo com o coração. Desde início, uma certeza absoluta domina a mente de todos: ao partir, o espaço que nos abrigou tem que ficar ainda mais natural do que quando chegámos.

O Acampamento Escutista afirmou-se, desde sempre, como a atividade educativa de excelência do movimento porque:
• promove a capacidade de escolha do modelo a desenvolver (o local, o tipo de campo e respetivas construções e atividades, de acordo com as características sócio-ambientais locais) e o enriquecimento, por todos, do modelo eleito;
• exige uma capacidade de planeamento partilhado e participado entre os membros das Patrulhas ou Equipas e entre estas;
• implica uma preparação individual e coletiva dos jovens no plano das competências técnicas, sociais e ambientais;
• determina a assunção de responsabilidades e tarefas individuais e coletivas na preparação do Campo, desde contactos locais, levantamento de potencialidades e de necessidades, construções, atividades, ações comunitárias e de prevenção e segurança.
• permite que a criatividade, habilidade manual e entreajuda se desenvolvam em todos e em cada um dos jovens;
• a vida em campo desenvolve, em todos, o espírito de pertença quer entre o jovens quer entre estes e a comunidade que os acolhe;
• finalmente, este recolhimento na Natureza permite a cada um ter momentos de reflexão sobre si mesmo e sobre as suas relações com os Outros, com a Natureza e com Deus.

Tal como escreve António Gedeão, no poema Pedra Filosofal:

“Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.” - é ao sonhar, projetar, viver e apreciar este mundo que o jovem vai construindo a sua personalidade marcada pelo sentido da vida em comunhão.

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