Correio do Minho

Braga,

O caminho é em frente, por Nuno Braumann

Amigos não são amiguinhos

Conta o Leitor

2011-08-04 às 06h00

Escritor

Num país em crise, muitos dos seus habitantes juntaram-se numa sala gigante com o objectivo de discutirem ideias para uma possível resolução, por unanimidade decidiu-se que a melhor maneira de chegar a um consenso é havendo comida e boa música. E assim foi. Contratou-se uma empresa que tratava de tudo, para que aqueles que tivessem que pensar estivessem focados somente no objectivo para que foram convocados.
Compareceram todos os tipos de ideologias, alguém pensou que fazendo uma salada de istas, com certeza que dali sairiam algumas pistas.

Pouco tempo passou quando alguns ânimos aqueceram, vieram todos à procura da mesma estrada mas cada um queria percorrê-la à sua maneira e obrigar os outros a seguir-lhe o exemplo.
Um pacifista, ironicamente de nome Moisés, decidiu dividir este mar revoltoso em dois, metendo uns à esquerda e outros à direita, ficando por unanimidade decidido que o homem só se pode reger por dois caminhos: ou vais para a esquerda ou vais para a direita e os homens que não vieram à festa teriam de ser aliciados a escolher um dos lados.

Os homens que pouco antes da festa falavam de modo simples, sofisticaram-se, e aqueles que não compareceram já não percebiam nada do que os seus semelhantes diziam; complicar e modificar tudo para que nada se altere.

A verdade é que a festa acabou, a comida acabou, o vinho acabou, as meninas bonitas já tinham ido para casa, os homens lá ficaram uns a andar para a direita outros a andar para a esquerda e batiam constantemente as suas cabeças contra os muros, convencidíssimos do provérbio ‘água mole em pedra dura...’, já ninguém sabia onde era a saída, o espectáculo foi tão bom que os homens só viam e regiam-se pelos prismas impostos.

Corria o mito que um velhote teria conseguido sair mas infelizmente era cego, sabe-se hoje que ele cegou à saída. Dentro da sala o ambiente era tão obscuro, que a luz da liberdade era intensa de mais para os seus olhos formatados, apesar disso o velhote permaneceu à porta, com o intuito de ajudar os seus antigos semelhantes, ele a viva voz gritava - MALTA, O CAMINHO É EM FRENTE, É EM FRENTE O CAMINHO - mas ninguém lhe deu ouvidos. Afinal, quem acreditaria num cego.


Nota: Durante a festa, houve um pequeno problema com o sistema de som. Não o relatei no texto porque poderia, ou não, ter sido a causa de todo este aparato. E como não pensei muito sobre o sucedido não vos queria recontar. O CD do DJ encravou numa das músicas que esteve a repetir a mesma faixa durante horas e horas. A letra dessa música era mais ou menos - izquierda, derecha, izquierda, derecha, AND FOLLOW the Leader...- mas como eles já não davam ouvidos a nada achei que já nem a música ouvissem.

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