Correio do Minho

Braga, sexta-feira

O capitalismo, pois claro!

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2014-01-21 às 06h00

Carlos Almeida

Foi ontem notícia em Portugal a divulgação de um relatório elaborado pela organização humanitária Oxfam, do qual se destaca a conclusão de que a riqueza concentrada nas mãos das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale aos recursos da metade mais pobre da população mundial, o que equivale a cerca de 3,5 mil milhões de pessoas.
De acordo com o mesmo relatório, apenas 1% da população detém praticamente metade da riqueza mundial.

No mesmo sentido se caminha em Portugal. Segundo um recente relatório de um ‘insuspeito’ banco suíço, o montante patrimonial dos multimilionários portugueses tem aumentado anualmente, tendo crescido 11,1% no último ano, estando mesmo acima da média europeia. Para além de podermos constatar que, afinal, Portugal consegue ter um índice de crescimento acima da média europeia, verificamos também que, apesar de nos venderem a ideia de que os sacrifícios são impostos a todos, parece que anda alguém a passar ao lado da austeridade.

São, sem dúvida, dados reveladores das colossais e crescentes injustiças sociais e económicas com que a população mundial se confronta, situação que Portugal não enjeita. Evidente torna-se também a tendência de concentração de riqueza num cada vez mais restrito grupo de famílias.
Na verdade, evidentes tornam-se também as contradições do capitalismo que, apesar da posição dominante que a ocupa no plano mundial e do controlo que detém sobre os meios e recursos existentes, começa a não ser capaz de esconder a sua verdadeira face: a miséria humana.

Hoje, ninguém pode negar as consequências desastrosas de um sistema que tem a sua essência na exploração do ser humano, na corrupção política e económica, na concentração do capital e da riqueza e nas agressões e ocupações militares.

O que está em causa, pois, é muito mais do que ultrapassar um mau momento, está muito além de qualquer crise. Estamos, isso sim, perante a inevitável certeza de que o sistema em que vivemos não serve e deve ser substituído. Enquanto não o fizermos, muitos relatórios semelhantes aos que acima referi continuarão a surgir.
Poucos poderão ficar indiferentes a tal facto.

Muitos, cada vez mais, estou certo, irão despertar para a luta que se trava há décadas contra a causa de tamanhas desigualdades: o capitalismo, pois claro!
Perante isto, e em jeito de homenagem pela ocasião do 30.º aniversário da sua morte, ocorrem-me as palavras de José Carlos Ary dos Santos: “Levanta-te meu Povo. Não é tarde. Agora é que o mar canta, é que o sol arde. Pois quando o Povo acorda é sempre cedo.”

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