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O Centenário do Caminheirismo (III)1

Preso por ter cão... o Estanislau:

Escreve quem sabe

2018-10-05 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

O caminheirismo, nestes últimos trinta anos, tem evoluído, no sentido de encontrar respostas para o mundo em mudança permanente, sobretudo nos domínios do social, sobretudo nas diversas amplitudes que o vão constituindo, em síntese, pode dizer-se que a Fé, a Esperança e a Caridade são elementos cada vez mais presentes e com maior intensidade nas propostas que se vão construindo ou reconstruindo.
Hoje, o caminheirismo assume uma dimensão humana e cristã muito mais presente que se materializa na afirmação de uma verdadeira “consciência ecológica integral”, isto é, em todas as vertentes da vida, sobretudo na assunção de responsabilidades individuais e grupais e sabemos que a evolução é bem mais rápida nos jovens que nos adultos. Nestes trinta anos, houve mudanças significativas: o Projeto do Homem Novo, a criação de Drave, a Base Nacional dos Caminheiros - o Éden do caminheirismo - e as sua atividades marcadas pelo serviço e recolhimento interior, o Cenáculo, esse fórum de reflexão sobre o sentido que damos ao Caminho, marcado por uma dinâmica de democracia participada e reflexiva, onde os Caminheiros “dão lições” de saber, de saber fazer e de ser, de que muitos de nós nos orgulhamos e, por ventura outros, vão sentindo um certo receio desta “epifania do futuro”. Mas não podemos desligar esta evolução do sentir e do viver da dimensão internacional, apreendida em diversas atividades escutistas de referência destinadas aos Caminheiros, onde, o tema da paz assume um papel central, tal como a comunicação universal que, à distância de um polegar, para os mais jovens, ou de um indicador, para os menos jovens, se tornou uma realidade para todos e cada um de nós.
De acordo com a publicação “CNE em Números – 2013”, no censo de janeiro 1980 havia um efetivo total de 22.481 escuteiros, dos quais 2.273 Caminheiros, correspondente a 10% do efetivo. Já no censo de janeiro de 2018 registavam-se os seguintes valores: um efetivo total de 71.470 escuteiros, sendo 7.857 Caminheiros, correspondente a 11% do efetivo.
A pesar destes valores encorajantes, ainda temos uma enorme margem de progressão porque, de acordo com “CNE em Número 2103”, páginas 12 e 13, a nossa taxa de penetração apresenta um interessante ritmo de crescimento, pois se em 1991 era de 1,6%, isto é, em cada 100 crianças ou jovens, entre os 6 e os 22 anos, 1,6 eram escuteiros, em 2001 de 2,6%, sendo que em 2011, já era de 2,9%. Por sua vez, a taxa de penetração na idade de Caminheiros situa-se nos 2%, tendo como referência os valores de 2011.
A seara é grande os trabalhadores são poucos e alguns sobrevoam-na ao sabor da brisa que passa. Neste sentido, temos que ter consciência das nossas limitações para aprender a superá-las, com os outros e para os outros, tendo um espírito aberto para acreditar que aprendemos sempre com os outros, sobretudo com aqueles que apresentam um pensamento divergente do nosso.
O caminheirismo cresce sempre que a intensidade e a abrangência das dimensões do Serviço gratuito crescem e têm implicações na vida dos outros e na dos próprios Caminheiros, permitindo-lhes desenvolver-se enquanto cidadãos solidariamente empenhados à luz da fé que professam. Esta é a melhor medida, mas é bem difícil de aferir, pelo que a referência à evolução do efetivo também deve ser ponderada.
Temos que levantar a âncora para partirmos, recomeçando de novo uma coisa nova, descobrindo mais vida para lá da nossa vida, discernindo que há mais mundo e mais mundos, para além do nosso, que, assim como o universo, também o nosso mundo pode ser infinito. Tal como no passado, temos que construir caravelas para o século XXI, isto é, novas fontes de energia, novos horizontes, novas tripulações, novos olhares, mas, sobretudo, novos pares. Que os Caminheiros sejam estes novos pares, com novos modelos organizacionais, dando preferência ao modelo em sistema, em vez da linear linha do tempo, optando por uma multiplicidade de plataformas que se movimentam, em detrimento do cais de embarque, que sempre utilizamos, por muito estável ou confortável que pareça aos nossos olhos de adultos.



1O tema terá continuidade em próxima crónica.

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