Correio do Minho

Braga, segunda-feira

O Clã 8 e o Escutismo Católico Português

O mito do roubo de trabalho

Escreve quem sabe

2016-01-29 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Na passada segunda-feira, quando a Igreja celebrava o dia da conversão de São Paulo, no Agrupamento do Seminário de Braga, quatro caminheiros do Clã 8 faziam a Promessa de Dirigente, na Igreja de São Pedro e São Paulo.
O Clã 8 é composto por caminheiros que frequentam o Seminário e se preparam para serem futuros sacerdotes. Com esta passagem pelo Clã, os estudantes de teologia tomam contacto com os valores do escutismo e o método escutista, preparando-se para poderem utilizar, de forma mais adequada este “instrumento de ação na pastoral juvenil”, quando desempenharem as suas funções de pastor das comunidades que lhes forem confiadas.
De acordo com o anuário da Região de Braga, do Corpo Nacional de Escutas, do ano jubilar do cinquentenário, 1973, o escutismo nasceu no Seminário de Teologia no dia 22 de fevereiro de 1947, dia de Baden-Powell, por iniciativa do Padre Benjamim Salgado, assistente regional de Braga, que organizou a patrulha de estudos «Cisne», com dez aspirantes. E, no dia 21 de setembro do mesmo ano, na igreja paroquial de S. Jerónimo de Real, aquando da inauguração do Grupo local, fizeram também a promessa oito seminaristas, cerimónia presidida pelo senhor Arcebispo de Braga, D. António Bento Martins Júnior.
Esta patrulha Cisne teve como guia Eduardo de Melo Peixoto e como assistente o Padre Américo Ferreira Alves, que, aquando da criação do Clã 8, ordem de serviço nacional número 121, de maio de 1949, viria a ser o seu primeiro chefe e que consolidou tanto a missão como a visão de Clã.
Fruto das orientações seguidas e do trabalho realizado, o Clã 8, que sempre teve o carinho pastoral do Prelado, tornou-se num dos maiores fatores de desenvolvimento sustentado do escutismo na Região (diocese) de Braga, uma vez que muitos dos novos sacerdotes, quando chegavam à paróquias já tinham um conhecimento aprofundado do movimento e eram permanentemente estimulados a criar novos agrupamentos, onde não os havia, pelo Chefe de Clã que, entretanto, também acumulava o cargo de Assistente Regional.
O Clã tornou-se uma espécie de centro de formação para padres escuteiros e, por causa disso, a sua importância foi vital para o desenvolvimento do Escutismo Católico em Portugal, uma vez que pelo Clã e pela sua chefia passaram seminaristas que tiveram um papel relevante na Igreja bracarense e de Portugal, como por exemplo, o cardeal D. António Ribeiro, o atual arcebispo D. Jorge Ortiga e o bispo D. Antonino Dias, o padre Manuel Fonte (Assistente Nacional do CNE que teve uma obra notável na sistematização e atualização quer da mística e simbologia, quer da pedagogia para a vivência da fé e dos rituais escutistas) ou do cónego António Macedo (Assistente do Núcleo de Braga e colaborador de primeira linha do padre Fonte).
Com uma plêiade de gente de que estes são apenas exemplos ilustrativos, facilmente se compreenderá a importância que, este simples Clã do Seminário Conciliar de Braga, teve no desenvolvimento do Corpo Nacional de Escutas no terreno, “onde as coisas acontecem”, na produção de literatura escutista que suporta o desenvolvimento e no acolhimento no seio da Igreja que ampara e orienta a ação.
Na passada segunda-feira, a arquidiocese de Braga e o Clã do Seminário Conciliar foram fieis às suas origens e às suas tradições, de tal modo que a Promessa dos novos dirigentes (seminaristas de teologia), o Leonel Cunha, o José Pedro, o Ruben Cruz e o Fernando Torres, foi recebida pelo senhor D. Jorge Ortiga que presidiu à Celebração e que, recorrendo ao pensamento de João Paulo II, a todos lembrou que “os movimentos são a primavera de esperança para a Igreja” e pediu para que a ação destes esteja sempre focada no acolhimento, sobretudo dos que precisam de “pão” ou de “amizade”.

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