Correio do Minho

Braga,

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O Cluster Euroregional de Nanotecnologia

O abandono e o adulto difícil

Ideias

2014-12-20 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

As expectativas para que a Nanotecnologia melhore a segurança e a qualidade de vida dos cidadãos são elevadas, uma vez que se considera a possibilidade de que a mesma possa potenciar a introdução de soluções técnicas que, de algum modo, resolvam problemas industriais através da utilização de tecnologias de nanofabricação emergentes. A Nanotecnologia já apresenta um considerável impacto sócio-económico. Segundo alguns estudos de mercado poderá vir a ser responsável por mais de 100 milhões de postos de trabalho diretos ou indiretos à escala mundial nos próximos 15 anos.

De acordo com um relatório publicado pela BCC Research, o mercado global para a nanotecnologia foi avaliado em 20 mil milhões de dólares em 2011. Espera-se que o total de vendas atinja os 49 mil milhões de dólares em 2017 com uma taxa de crescimento anual de 18,7%.

O NanoValor, que se constituiu como o Cluster Euroregional de Nanotecnologia, já reconhecido em redes e plataformas tecnológicas europeias e apresentado à Comissão Europeia, tem como principal missão divulgar as potencialidades do conhecimento gerado pelo setor da nanotecnologia, tanto em Portugal como na Galiza, sobretudo junto das empresas, na firme convicção de que a nanotecnologia é um grande indutor de inovação, capaz de contribuir para o desenvolvimento de novos produtos, acrescentar valor a produtos já fabricados nas indústrias, e assim, tornar as empresas mais competitivas e capazes de se afirmarem no quadro competitivo global.

O projeto NanoValor, que tenho vindo a coordenar desde 2011, pretende ser um motor de alavancagem de uma Euroregião de excelência em nanotecnologia pela dinamização de um Cluster de Nanotecnologia numa rede de cooperação efetiva entre os seus principais atores-chave.

Têm-se observado importantes desenvolvimentos relativos à transferência de conhecimento de resultados procedentes da atividade de I&D em Nanotecnologia na Euroregião do Norte de Portugal-Galiza. Parte do êxito encerra na sua base um esforço continuado por parte das instituições e grupos de investigação das duas regiões, capazes de desenvolver um conhecimento científico cada vez mais competitivo, eficiente e articulado.

Nesse sentido as instituições de I&D do Cluster Euroregional de Nanotecnologia (por exemplo a Universidade do Minho, o INL e o CENTI, para referir apenas os mais importantes da nossa região) procuram estar sempre na vanguarda do conhecimento e contribuir efetivamente para os avanços da Nanotecnologia e para a sua valorização económica. Os resultados obtidos em projetos aplicados nas áreas da nanotecnologia terão impactos positivos diretos não só no tecido económico da região mas também outras empresas beneficiarão como é exemplo as áreas da Energia, Saúde, Novos Materiais e Produtos, Processos Industriais, Biotecnologia e TICE.

De facto, e como resultado do estudo do mapeamento de competências em Nanotecnologia efetuado pelo consórcio (disponível em www.nanovalor.org) pode-se concluir que a realidade se encontra numa fase disruptiva na medida em que as empresas euroregionais identificam a nanotecnologia como um veículo interessante para as suas áreas de negócio. A implementação de produtos baseados em nanotecnologia na indústria automóvel e da construção civil ocupam o 1º lugar uma vez que quase 30% das empresas da amostra identificam-nas como uma oportunidade. Seguem-se a indústria têxtil, da energia, sanitária e de materiais, assim como as indústrias eletrónica e do meio ambiente. A aplicação na indústria alimentar, indústria de biotecnologia, farmacêutica e de defesa também são referidas.

Muitos dos projetos em curso têm participação de PME’s e apresentam uma vertente muito aplicada para áreas da economia regional. Destaco algumas áreas estratégicas do I&D em nanotecnologia para o bem-estar da população e para o setor industrial: Materiais nanoestruturados e revestimentos funcionais para aplicações em conforto e segurança. Nanomateriais electro- e termocromáticos capazes de modular a cor de superfícies, assim como o controlar o fluxo de calor através de janelas em edifícios (e com aplicação na indústria automóvel e aeronáutica).

Nanopartículas e revestimentos nanoestruturados e nanocompósitos para superfícies inteligentes (implantes biomédicos, auto-limpeza, bactericidas, auto-regeneração, embalagens e etiquetas alimentares, dispositivos sensoriais e de nanodiagnóstico médico), sistemas ultra-eficientes de energia, integração de células solares de última geração em elementos arquitetónicos, nanofilmes e tratamentos plasma para polímeros e têxteis técnicos.

No caso particular da indústria têxtil, espera-se que a utilização de materiais nanoestruturados melhore as propriedades intrínsecas das fibras têxteis ou confiram propriedades inovadoras: autolimpeza; repelência da água e sujidade; antimicrobianas; propriedades condutoras e anti-estáticas; resistência a solventes, à radiação ultravioleta, ao desgaste e ao fogo.

O Observatório de Vigilância Tecnológica que foi desenvolvido, NanotechRadar, e implementado no âmbito do NanoValor, permitirá oferecer à comunidade de inovação do Cluster, composta por mais de 500 investigadores e cerca de 300 empresas, um serviço de inteligência competitiva. O NanotechRadar irá oferecer um conjunto de informação estratégica, roadmaps, consultoria sobre propriedade intelectual, serviços de vigilância competitiva para análise de novos produtos e tecnologias e potenciais oportunidade de projetos para o programa quadro Horizonte 2020.

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