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Braga, quarta-feira

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O comércio na vanguarda da recuperação económica

Criado... não aceita mau destino

Escreve quem sabe

2014-01-10 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Portugal tem vindo a evidenciar um conjunto de sinais que indiciam uma retoma económica por todos tão ansiada. Os economistas tendem a desvalorizar séries estatísticas tão curtas, porém estamos tão desejosos de ultrapassar esta crise que não conseguimos ficar indiferentes a estas melhorias. Ao que parece os últimos dois trimestres de 2013 registaram um crescimento da economia portuguesa o que já não se via há muito tempo. Pelo menos há 3 anos.

A taxa de desemprego voltou a descer em novembro de 2013 e pelo nono mês consecutivo, estando agora fixada nos 15,5%. É preciso recuar até maio de 2012 para encontrar um valor mais baixo. Ainda assim, Portugal ocupa o quinto lugar na tabela dos países com mais desemprego. Só Grécia (27,4%), Espanha (26,7%), Croácia (18,6%) e Chipre (17,3%) registam valores mais elevados.
Com surpresa para alguns, tem sido o setor do comércio, tantas vezes desconsiderado pelos decisores políticos face à real importância que tem para a economia portuguesa, uma das principais locomotivas desta recuperação económica. Os dados do Eurostat de novembro revelam que a maior subida nas vendas a retalho na Europa aconteceu em Portugal com um crescimento de 3,1% face ao mês de outubro. Em termos homólogos (face ao mesmo do ano anterior), Portugal registou uma variação positiva de 3,5%.

Sem dados ainda definitivos relativamente ao mês de dezembro, as projeções da Associação Comercial de Braga indicam que as vendas de Natal do comércio do concelho de Braga registaram também uma subida da ordem dos 4 a 5% face ao ano transato. O que parece indiciar uma tendência de inversão no ciclo económico, embora a sustentabilidade futura destes indicadores não esteja ainda assegurada.
Para esta evolução económica positiva a que se assistiu no segundo semestre de 2013, não será alheia a evolução registada na taxa de desemprego, bem como o desanuviar do clima económico, conforme se verifica pela melhoria dos indicadores de confiança quer dos consumidores quer dos empresários.

O indicador de confiança dos consumidores continuou a melhorar em dezembro passado, tendo atingido o melhor registo desde outubro de 2010. Na mesma linha, o indicador de clima económico manteve a trajetória ascendente estabelecendo uma recuperação contínua ao longo de todos os meses do ano passado. Os aumentos dos indicadores de confiança dos empresários generalizaram-se no último semestre a todos os setores de atividade económica em Portugal. A percepção dos empresários melhorou tanto em relação à evolução da procura externa como da interna, assim como da evolução dos preços.

Esta melhoria do clima económico propiciou igualmente a aparição de novos atores no mercado, tendo o ano de 2013 apresentado o maior número de nascimentos de empresas dos últimos 5 anos (com o setor do comércio a liderar as preferências dos novos empresários) e registado um aumento de 12,8% face a 2012. Em sentido inverso evoluiu o encerramento de empresas, com uma diminuição de 20% face ao ano transato, e o número de insolvências, que desceram 7,6%, pela primeira vez desde 2009.

No distrito de Braga esta dinâmica empresarial também se verificou, com a taxa de criação de empresas a disparar 16,1% face a 2012, as insolvências a contraírem 17,6% e o encerramento de empresas a diminuir 6,8%.

São diversos os sinais de retoma económica e não falta quem queira colher louros e assumir a responsabilidade por este desempenho positivo. Porém, para que não fiquem dúvidas, os grandes obreiros desta retoma económica são os empresários. Pela sua notável capacidade de resistência a tantas adversidades que enfrentaram nos últimos 3 anos.

Pela sua extraordinária capacidade de se adaptarem a uma nova realidade, reinventando o seu negócio, optimizando processos, tornando-se mais competitivos. Pela sua constante capacidade de inovar e de surpreender os clientes. Pela sua capacidade de arriscar, mesmo num período adverso e com escasso apoio do sistema bancário, os empresários portugueses revelam coragem e audácia de empreender novos negócios.

No início de mais um ano desafiante para a capacidade de resiliência dos nossos empresários e demais empreendedores, o desejável é a manutenção e consolidação destes sinais auspiciosos, em paralelo com um regresso bem sucedido de Portugal aos mercados após o fim do programa de assistência económica e financeira agendado para Maio próximo.

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