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O desconfinamento, a digitalização, a economia e os serviços públicos

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O desconfinamento, a digitalização, a economia e os serviços públicos

Ideias

2021-03-21 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Tal como me comprometi regresso ao tema da pandemia, a forma como tem vindo a influenciar a dinâmica global da transformação digital e a correlação com a gestão e o funcionamento do setor público, que impõem uma correlação consequências diretas na economia nacional e europeia. Uma nova realidade social, cultural e económica que tem vido a registar avanços, mas onde persistem resistências, que continuam a influenciar a sua afirmação e sua capacidade o nível de resposta compatível com as exigências das necessidades e os desafios cada vez mais complexos, que vão sendo identificados.
A pandemia introduziu, neste contexto, um desafio de grande dimensão que pode provocar mudanças muito profundas aos mais diversos níveis, cujos impactos são difíceis de antecipar: o teletrabalho. Os últimos tempos têm sido férteis em estudos e análises sobre o teletrabalho que ilustram bem como a sua perceção mudou. O trabalho remoto pode tornar, no limite, a localização geográfica uma variável irrelevante, para a empresa ou serviço público. Desde que o trabalhador seja competente, seja produtivo e tenha acesso à internet, pode estar em qualquer lado, como se estivéssemos todos no mesmo sítio. Um gigantesco mercado global, que vai para além do mundo plano preconizado na “Breve história do século XXI”, de Thomas Friedman.

Um mundo novo, que pressupõe a transição para uma sociedade marcada pela digitalização. Sendo esta mudança e transição, um dos principais desafios estratégicos do País, e uma grande oportunidade transversal a toda a sociedade. À economia social, ao setor empresarial, com um enfoque muito especial na Administração Pública, tal como foi assumido pelo governo na apresentação da Comissão para a Modernização Administrativa. Uma nova dinâmica de gestão pública, que corresponde a um investimento superior a 600 milhões de euros, aplicados em áreas fundamentais como o atendimento dos serviços públicos, a interoperabilidade e a utilização dos dados, a cibersegurança e a capacitação humana e tecnológica.

Na mesma linha várias empresas líderes na área da transição digital, expressaram o seu empenho em acelerar a transição “verde”, consubstanciada na declaração industrial sobre a “Green Digital Coalition”. Uma declaração apresentada no Digital Day 2021, que se realizou na passada sexta-feira, dia 19 de março. Numa organização conjunta entre a Comissão Europeia e a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, para discutir os desafios das tecnologias digitais. Uma estratégia de discriminação positiva para a uma Europa das nações “startup”, que marca um novo ciclo de empreendedorismo em Portugal e na Europa. Numa ambição de liderança nesta área, com base numa ação concertada para captar e promover a retenção de talentos, contribuindo para uma liderança desta dupla transição verde e digital.

Apesar de todos estes eventos e das medidas bem-intencionadas do Governo, ao nível da intervenção social, do reforço dos programas de apoio às empresas e às organizações públicas. Entretanto o desconfinamento está a dar os primeiros passos. As dúvidas persistem em relação ao que vai acontecer no setor público e na economia. A COVID 19 continua a marcar o ritmo da vida social, do funcionamento da administração pública e da economia portuguesa e europeia. A expetativa está centrada na dinâmica da vacinação, e é um fator chave do regresso à “nova normalidade”, tem sido marcada pela incerteza, pela polémica e, sobretudo, pelo atraso.

Se o plano de vacinação não acelerar, em Portugal e na Europa, corremos um forte risco de perder mais um verão para o Turismo, onde já perdemos vinte e nove mil empregos. “A Administração Central tem urdido uma teia de pareceres vinculativos que tudo emperra, trava, demora, chateia, na maior parte das vezes para satisfazer pequenos poderes instituídos”, tal como afirmou o Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional Carlos. Avisando que, só com “enorme esforço de desburocratização”, será possível evitar atrasos na utilização dos fundos do Portugal 2030 e do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), porque estão a pôr em causa a definição do modelo de governação e a sua implementação.

Além da óbvia descoordenação política, apesar da prometida criação de uma Comissão Nacional de Acompanhamento. As verbas não estão a chegar no tempo certo, muitos negócios podem não resistir, e milhares de postos de trabalho podem ser destruídos. Os estudos e as estatísticas são, que apontam estimativas desastrosas, no sentido de uma em cada quatro empresas em Portugal não tem capacidade financeira para resistir à crise. Uma situação negativa que poderá ser agravada pela não adequação dos estímulos orçamentais, que na perspetiva de um número crescente de especialistas em economia, poderá levar-nos a “sair da crise pandémica e entrar numa crise orçamental”.
A economia e o Estado, apesar da transição digital em curso, está a enfrentar uma paralisia funcional que exige uma maior agilidade, capaz de aumentar da eficácia, incorporar e avaliar os impactos tecnológicos na produção, nos processos de negócio das empresas e na gestão dos serviços públicos.

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