Correio do Minho

Braga, terça-feira

O desemprego e a falta de pudor dos seus responsáveis

Caminho perigoso

Ideias Políticas

2013-02-19 às 06h00

Carlos Almeida

A maioria de nós tem vivido os últimos dois anos, desde a intervenção estrangeira em Portugal concertada pelos partidos do arco de governação - PS, PSD e CDS, em constante aflição face à vertiginosa alteração das nossas vidas. Desde então temos sentido de forma ainda mais cruel os impactos da integração capitalista europeia de que somos vítimas há décadas.
Diariamente, somos estremecidos por mais e mais anúncios de medidas de austeridade, números arrepiantes e políticas nefastas que só vêm agravar a já dramática situação por que estamos a passar.

Assim foi na passada semana, quando foram divulgados os dados relativos ao desemprego em Portugal no último mês de 2012. São já mais de 1 milhão e 400 mil os desempregados, incluindo aqueles que já não constam nas listas dos centros de emprego.

Perante este cenário, era de esperar que fossem tomadas medidas que contrariassem a situação, como estímulos ao crescimento económico ou a dinamização do mercado interno, e era também de esperar que se reforçasse a protecção social destes trabalhadores. Ao invés, o governo PSD/CDS afunda a economia nacional - facto explícito na evolução do PIB de 2012, referente ao 4.º trimestre, traduzida numa recessão económica de 3,2% - e corta nos apoios do Estado aos desempregados, de que é exemplo mais recente a aplicação de uma taxa de 6% sobre o valor dos subsídios.

Como se não bastasse, não perde o governo a ideia de refundar o Estado através de uma profunda reforma das suas funções sociais, liquidando direitos e garantias dos cidadãos na saúde, educação e segurança social.
No plano regional, Braga, contrariando os registos históricos, assume há vários meses a liderança na tabela do desemprego, enquanto concelho do distrito com o maior número de desempregados. Segundo o IEFP, são cerca de 15 mil os trabalhadores bracarenses em situação de desemprego, dos quais cerca de 40% são jovens.

Confrontado com este grave problema por que passam milhares de bracarenses, Ricardo Rio, candidato da Coligação PSD/CDS/PPM à Câmara de Braga, refugiou-se, por um lado, no argumento de que o problema já vem de trás e, por outro, na ideia de que a Câmara de Braga nada faz para o resolver.

Na verdade, Ricardo Rio tem razão, em parte. O problema perpassou vários governos. Faltou-lhe apenas dizer que em todos esses governos estiveram ora o PS, ora o PSD, com ou sem a muleta do CDS, e que, por isso, são esses os principais responsáveis pela destruição de milhares de postos de trabalho e pelo aumento do desemprego em Portugal. Todos disseram que iam resolver o problema do desemprego, mas não só não foram capazes, como ainda o agravaram.

Quanto à segunda “desculpa” do candidato de direita, é certo que não me cabe a mim defender o partido no poder municipal, tão-pouco desejo fazê-lo, mas a quem, como Ricardo Rio, aspira a ser Presidente da Câmara Municipal de Braga, fica muito mal não conhecer o quadro de competências dos municípios. Competirá à Câmara de Braga, ou a qualquer outra, o desenvolvimento de políticas de criação de emprego? Têm as Câmaras Municipais a possibilidade de travar o brutal avanço do número de desempregados? É claro que não. Os municípios estão de facto muito limitados nesta matéria e, para além de se exigir que façam boa gestão dos seus trabalhadores, o que podem fazer assenta apenas em medidas que se pretendem mais favoráveis para a economia local.

É certo que a Câmara de Braga podia, ainda assim, actuar dentro desses limites, mas daí até admitir que pudesse resolver o gigantesco problema criado pelas políticas dos anteriores e do actual governo vai uma enorme distância.
A verdade é que os números falam por si, e o que Ricardo Rio não disse, mas devia, é que desde que o (seu) governo está em funções, nos últimos dezoito meses, foram destruídos em Portugal mais de 361 mil postos de trabalho.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

23 Outubro 2018

Quatro em quatro

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.