Correio do Minho

Braga, sábado

O dia da Imaculada Conceição

Pavilhão do Atlântico distinguido com o MasterPrize em Los Angeles

Escreve quem sabe

2012-12-07 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Comemora-se amanhã, dia 8 de dezembro, o feriado religioso dedicado à Imaculada Conceição, a quem a Diocese de Braga dedicou a Basílica de Nossa Senhora do Sameiro.
Esta ligação com Maria surge desde os primórdios da nacionalidade, todos sabemos a importância que as gentes das Terras de Santa Maria tiveram para que a vontade de D. Afonso Henriques se materializasse e o reino de Portugal se afirmasse como um país livre e independente.

Será curioso pensarmos que, nas duas maiores crises que vivemos, enquanto país soberano, a de 1383-1385 e a de 1580-1640, os homens que foram os rostos mais visíveis para se sair delas: Nuno Álvares Pereira e o D. João, duque de Bragança, respetivamente, ambos tinham um especial carinho pela Virgem Maria.

O primeiro, reconhecendo que as suas vitórias militares se deviam, em grande parte à intervenção de Maria e tendo tomado o seu nome - Nuno de Santa Maria - para a sua segunda vida: a do convento.

O segundo, nas Cortes de Lisboa, no dia 25 de Março de 1646, depôs a coroa real aos pés da Rainha do Céu que, doravante, seria também a Rainha de Portugal. Passando a ser, para além de padroeira de Vila Viçosa, a Padroeira de Portugal. Desta forma, pretendeu D. João IV reconhecer a proteção eficaz da Imaculada Conceição pela libertação do Reino do domínio estrangeiro.

Mais tarde, o Papa Clemente X respondendo ao pedido de D. João IV para que a Imaculada Conceição fosse a “Senhora das Terras de Portugal”, já no reinado de D. Pedro II, enviou o breve Apostólico: “Eximia dilectissima”, de 8 de Maio de 1671, confirmando a designação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira principal de Portugal.

Mas esta ligação não se verificou apenas com os rostos fundamentais da nossa soberania, pois ainda hoje gostamos de associar o dia da Imaculada Conceição, ao dia da mãe, que o calendário dos homens “atirou” para o mês de maio.

Este dia festivo da Igreja, para evocar a Mãe de Jesus, ao situar-se no tempo litúrgico do Advento marca, desde logo, este percurso até ao Natal como um Caminho de Esperança, culminando com o nascimento do Messias para que a ideia central do coro dos anjos e dos pastores “e paz na terra aos homens de boa vontade” se venha a tornar uma realidade, não por um qualquer milagre, mas pelo sentido de responsabilidade individual de cada um de nós, tão bem expresso por António Gedeão quando nos lembra que o mundo seria bem melhor se cada homem fizesse mais pelos outros do que por si.

Esta é a nossa responsabilidade de sermos homens livres que ao “amar o próximo como a si mesmo”, nas suas vivências do quotidiano, contribuem para a felicidade dos outros, pois as grandes realizações são possíveis quando se dá importância aos pequenos começos, tal como nos lembram os ensinamentos e as memórias dos tempos de infância passados com as nossas mães.

Os escuteiros que, também eles, escolheram a proteção da Imaculada Conceição, sob a designação de «Nossa Senhora Mãe dos Escutas», procuram interiorizar, para depois colocar ao serviço dos outros, as vivências que Maria, enquanto Mãe de Jesus, nos vai transmitindo, quer aquando da sua passagem pela terra, quer pelas mensagens que nos faz chegar. Não queremos que, nestes dias difíceis, a preocupação de Martin Luther King “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons”, resulte da realidade vivida, pelos escuteiros, nestes tempos de Advento.

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