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O digital não pode substituir a proximidade social

O Censo Escutista Anual

Ideias

2020-09-06 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Estamos em setembro! Este ano marcado por uma incerteza crescente em relação à evolução da pandemia, que tomou de assalto a nossa vida. Transformando a nossa convivência social, numa realidade diferente, mais exigente e de enorme imprevisibilidade. Uma doença desconhecida da ciência, que nos colocou enormes desafios e está a impor mudanças sociais, profissionais e pessoais muito profundas. Mudanças bruscas para que não estávamos preparados. O distanciamento social, o uso de máscaras e muitas outras restrições. Medidas preventivas cujo sucesso depende, fundamentalmente da atitude cívica de cada um de nós, da organização das instituições e do compromisso de todos, neste combate sem tréguas.

Tempo de regresso ao trabalho, com a reativação das empresas que estão conseguiram resistir. Um momento de grande dinamismo, em torno da abertura das escolas e das instituições de ensino superior, desta vez focado, num esforço de retoma de uma nova normalidade, com base num pacto de confiança na capacidade coletiva, para ultrapassarmos as dificuldades que estamos a enfrentar. Incentivando a valorização do papel específico de cada cidadão, na quebra das cadeias de transmissão do COVID 19, de forma a contribuir para a proteção da comunidade. Na reorganização dos serviços públicos. Na criação de alternativas de emergência para quem ficou desempregado, num alargado compromisso solidário entre o Estado e o setor social.

Um contexto de pandemia, que está a induzir uma transformação incontornável, da sociedade e da economia. Mudança que está no topo das preocupações dos responsáveis políticos, empresariais educacionais, com impacto direto na elaboração de planos de médio longo prazo, para assegurar a capacidade de resposta das organizações públicas e da competitividade empresas. Uma atenção centrada nos enormes desafios, no esforço anormal e nas medidas excecionais, que se estão a assumir uma permanência, cada vez mais definitiva, nas dinâmicas de planeamento e de missão, nos mais diversos setores de atividade, com particular destaque para o Serviço Nacional de Saúde.
Apesar da capacidade de resposta que estamos a demonstrar, infelizmente, a ambiguidade continua a ser a única certeza. Aliada a uma certa tentação para especulações irrealistas, que não respondem ao propósito de romper com os velhos hábitos e métodos de trabalho desatualizados. Profetizando a substituição radicalizada do contacto humano, pela relação à distância mediada pela tecnologia digital, mais desenvolvida e menos presencial, com mais compras online, mais takeaway e menos viagens nacionais e internacionais.

Sendo a imprevisibilidade, um dos maiores problemas, face às reais consequências desta nova realidade social, no que diz respeito à evolução das relações humanas, cada vez mais estigmatizadas pelos surtos de disseminação da pandemia. A desconfiança do convívio de proximidade e o afastamento das pessoas está a avançar de forma descontrolada, apesar dos abusos que se vão verificando. Em que os estabelecimentos de ensino têm sido considerados palcos privilegiados desta especulação, com alguns iluminados a preconizarem o fim do ensino presencial e da mobilidade dos estudantes em geral, e do ensino superior em particular.
Mas, a realidade tem vindo a demonstrar, felizmente, uma tendência contrária. Os jovens mantêm o interesse nas oportunidades de formação transnacionais e de experiência interculturais de contacto humano. Uma vontade de que não abdicam. Na convicção da importância destas dinâmicas pedagógicas e científicas e tecnológicas, no seu percurso de formação e desenvolvimento pessoal, académico e profissional, e da visão integradora das experiências internacionais, mesmo enfrentando os riscos da pandemia.

Nesta perspetiva, tirando partido do modelo de ensino à distância e digital, têm que ser asseguradas a qualidade do modelo formativo, adequando as metodologias pedagógicas e a investigação, às necessidades técnico-científicas do mercado de trabalho e às novas exigências da sociedade. Assumindo um compromisso com o ensino presencial, porque a experiência do período de confinamento evidenciou, que a motivação para a aprendizagem online é menor do que o contacto presencial. Sobretudo, em relação às competências transversais que o sistema de ensino deve proporcionar, como o espírito crítico e o trabalho colaborativo.

O processo de aprendizagem, neste sentido, é uma dinâmica social que pressupõe o contacto assíduo entre os estudantes e os professores. A situação que estamos a viver, impõe a conciliação entre as regras de segurança sanitárias e de saúde, e a organização do sistema de organização da atividade pedagógica e de investigação. Sendo a transição para um modelo híbrido, que alavanca o modelo digital para melhorar o modelo de ensino presencial, o caminho do futuro das instituições de ensino aos mais diversos níveis, com particular destaque para o ensino superior.

Este caminho é muito claro. O digital veio para ficar, mas nunca para substituir o ensino presencial e a sala de aulas. Estrategicamente perspetivado, para complementar o modelo tradicional, onde se partilham as interações humanas na sua plenitude. Continuando a projetar a imagem de qualidade nosso sistema de ensino, interna e externamente, pelo impacto da investigação e da ligação com a economia e com as empresas, apesar das incertezas decorrentes da situação de pandemia que estamos a viver.
Um caminho que vai permitir tirar partido das potencialidades do digital em todo este processo, através do impacto na competitividade, na inovação das instituições de ensino superior, na atração de estudantes e no seu relacionamento com a comunidade.

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