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O dilema dos interesses económicos

Ser ou não ser

O dilema dos interesses económicos

Ideias Políticas

2022-04-19 às 06h00

André Patrão André Patrão

“Queremos ter paz ou o ar condicionado ligado no Verão?” foi a pergunta colocada pelo Primeiro-Ministro italiano, Mario Draghi, acerca da possibilidade de um embargo da União Europeia ao gás russo, já que se continuam a discutir sanções a impor à Federação Russa, na sequência da guerra com a Ucrânia. A Itália é extremamente dependente da importação de gás russo, a par de outros países europeus, mas Mario Draghi respondeu à sua própria questão com o compromisso de aceitar que essa possibilidade se torne uma realidade.
A postura política de Vladimir Putin, ao longo dos últimos anos, a par de algumas das decisões tomadas, como a guerra na Síria e a anexação (e controlo) da Crimeia, anteviam problemas futuros, que culminam e atingem o seu apogeu nesta guerra com a Ucrânia.
A realidade é que a União Europeia potenciou a sua dependência energética da vontade da Rússia, através de escolhas e opções duvidosas, como a construção dos gasodutos “Nord Stream 1” e “Nord Stream 2”, duas ligações diretas de abastecimento de gás natural entre as principais protagonistas deste projeto: a Alemanha, uma potência influenciadora do projeto europeu em virtude da sua capacidade económica, e a Rússia.
Por vezes, os interesses económicos próprios esbarram na consolidação do projeto europeu e põe em perigo a construção europeia de criação de um espaço de paz e reconciliação, onde impere a democracia e os direitos humanos, assente na união, no desenvolvimento sustentável, na justiça e na segurança de todos os seus membros e respetivos cidadãos.
Toda esta temática também nos leva para as ramificações do tema da energia. Não só não faz sentido que o projeto europeu dependa excessivamente da disponibilidade de produção energética de outros países, como a realidade das alteraçõ- es climáticas e os objetivos de descarbornização exigem que a Uni-ão Europeia encare com urgência a transição para energias limpas e renováveis, produzidas internamente.
Vivem-se tempos conturbados na Europa. A questão das opções tomadas não coloca a responsabilidade e as consequências da guerra em causa. Foi a Rússia que invadiu a Ucrânia, provocando a morte dos cidadãos ucranianos e enviando para a morte os seus próprios soldados, arrasando com as suas infraestruturas, como hospitais, maternidades, escolas e edifícios habitacionais e cometendo, pelo caminho, hediondos e graves crimes, como a violência e as violações relatadas nos últimos dias, em Bucha.
Por cá, o Partido Comunista Português resolveu lançar um cartaz em que associa diretamente a questão da guerra à subida dos preços, aludindo à existência de dinheiro para ajudar a Ucrânia mas que as necessidades dos portugueses são postas de parte, transmitindo uma alusão perigosa de que os portugueses são prejudicados pela necessidade de sermos solidários com a Ucrânia. Falamos de um país europeu, próximo, com uma comunidade de relevo presente na nossa sociedade, que vive uma situação dramática e que resiste heroicamente à invasão do seu território e que afeta os princípios e valores que defendemos na União Europeia.
Em França, repete-se o duelo das eleições presidenciais anteriores, com Macron e Le Pen a disputarem a liderança do país com a segunda maior economia europeia e sétima maior do mundo e que representa mais um confronto de visões diferentes de sociedade, que pode afetar o desfecho entre o Ocidente e a Rússia e também a força do projeto europeu.
Cabe a cada um de nós saber sempre defender o lado certo da história e pede-se a todos os que possuam responsabilidades cívicas que assumam um papel de liderança, através da sua opinião e influência, desmistificando ideias e pensamen- tos errados, com uma postura positiva e determinada, para que nunca saiamos do caminho da justiça, da solidariedade e democracia e, acima de tudo, da liberdade.

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