Correio do Minho

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O ecossistema de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Cluster de Nanotecnologia

O abandono e o adulto difícil

Ideias

2014-09-27 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Atualmente, a nanotecnologia afirma-se como o domínio científico e tecnológico de maior expansão de Investigação e Desenvolvimento.
O projeto NanoValor, que tenho vindo a coordenar desde 2011, pretende ser um motor de alavancagem de uma Euroregião de excelência em nanotecnologia pela dinamização de um Cluster de Nanotecnologia numa rede de cooperação efetiva entre os seus principais atores-chave.

Nos últimos anos tem-se observado um importante desenvolvimento relativo à transferência de conhecimento de resultados procedentes da atividade de I&D em Nanotecnologia na Euroregião do Norte de Portugal - Galiza. Parte do êxito encerra na sua base um esforço continuado por parte das instituições e grupos de investigação das duas regiões, capazes de desenvolver uma ciência cada vez mais competitiva, eficiente e articulada. Muito embora o verdadeiro impacto da Nanotecnologia ainda não seja efetivamente mensurável, os produtos que a incorporam representam, atualmente, um mercado que não pode ser ignorado.

Não obstante, existem ainda inúmeras barreiras na comercialização de produtos, processos e tecnologias que resultam de projetos de I&DT em nanotecnologia ao longo do ciclo de inovação. Salienta-se a ausência de práticas de gestão de I&D e inovação adequadas, a desarticulação entre estratégias públicas de I&D e necessidades das empresas, a ausência de avaliação da viabilidade económica de ideias e projetos, a dificuldade na gestão de tecnologias plataforma, a gestão ineficiente da propriedade industrial, o baixo investimento empresarial em investigação e o insuficiente financiamento específico para o desenvolvimento de protótipos e provas de conceito.

Aponta-se como principal conclusão a urgência em sensibilizar o setor privado (comunidade empresarial, industrial e de investimento) para a participação ativa em todo o ciclo de I&D e inovação. Existe a necessidade premente de apostar em políticas públicas assentes em estratégias de complementaridade e eficiência coletiva que deverão prevalecer sobre as ações isoladas de todos os agentes de apoio à inovação e transferência de conhecimento responsável pelos ativos existente em Nano- tecnologia na Euroregião.

A Comissão Europeia determina o desenvolvimento de estratégias de investigação e inovação para a especialização inteligente durante o período de 2014-2020. As ações a implementar deverão estar fortemente alinhadas não só com a garantia da eficiência na aplicação dos fundos mas também no apoio e dinamização de sinergias entre as políticas europeias, nacionais e regionais e investimento público e privado.

O novo programa quadro Horizonte 2020, considerado como o maior programa de financiamento de ciência e inovação do mundo com uma dotação orçamental de 70.2 mil milhões de euros, estabelece três prioridades: excelência científica, liderança industrial e desafios societais. O H2020 será crucial para a garantia de ecossistemas de inovação capazes de alavancar o crescimento das regiões europeias.

O objetivo das indústrias competitivas visa tornar a Europa num local mais atrativo para investimento em investigação e inovação e pela promoção de atividades onde o negócio é parte integrante da agenda. Este princípio estratégico irá aumentar o investimento em tecnologias industriais-chave, maximizando o potencial de crescimento das empresas da Europa, proporcionando-lhes níveis adequados de financiamento e apoiar as PME inovadoras na sua internacionalização e posicionamento mundial.

No âmbito do programa quadro H2020 serão investidos cerca de 6 mil M€ para o desenvolvimento das capacidades industriais da UE em Tecnologias Facilitadoras Essenciais (KET - Key Enabling Technologies). As KET incluem a fotónica e a micro e nanoeletrónica; nanotecnologias; materiais avançados e tecnologias de processamento emergentes; e a biotecnologia.

Em resultado do estudo do mapeamento de competências em Nanotecnologia efetuado pelo consórcio (disponível em www.nanovalor.org) pode-se concluir que a realidade se encontra numa fase disruptiva na medida em que as empresas Euroregionais identificam a nanotecnologia como um veículo interessante para as suas áreas de negócio.

A implementação de produtos nanotecnológicos na indústria automóvel e da construção civil ocupam o 1.º lugar uma vez que quase 30% das empresas da amostra identificam-nas como uma oportunidade. Seguem-se a indústria têxtil, da energia, sanitária e de materiais assinaladas por um quinto das empresas (entre 25% e 21%). Com 20% encontram-se as aplicações para as indústrias eletrónica e do meio ambiente.

A aplicação na indústria alimentar é a seguinte na lista com 18% seguindo-se as aplicações dirigidas à indústria de biotecnologia, farmacêutica e militar, com percentagens em torno de 16%. Abaixo deste valor situam-se, por ordem decrescente, as aplicações para a indústria de embalagens, segurança, aeroespacial e de comunicação.

Aponta-se a importância do observatório de vigilância tecnológica que foi desenvolvido, NanotechRadar, e implementado no âmbito do projeto NanoValor e que permitirá oferecer à comunidade de inovação composta por mais de 500 investigadores e cerca de 300 empresas um serviço de inteligência competitiva.

O NanotechRadar irá oferecer um conjunto de informação estratégica, roadmaps customizados, consultoria sobre propriedade intelectual, orientação sobre a nanotecnologia, serviços de vigilância competitiva para análise de novos produtos e tecnologias e potenciais oportunidade de projetos para o próximo H2020.

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