Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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O efeito Rijksmuseum

Beco sem saída

Ideias

2014-11-28 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Na década de 1990, a cidade de Bilbau (província da Biscaia, comunidade autónoma do País Basco) construiu um museu Guggenheim e, desde então, tem passado por uma notável transformação nos planos urbanístico e turístico. Essa mudança foi designada na literatura especializada “efeito Guggenheim”. Braga talvez pudesse seguir o exemplo e procurar acolher um museu internacional de nomeada como, por exemplo o Rijksmuseum (lê-se “raiksmuséam”; sediado em Amesterdão e entre os vinte mais concorridos do mundo, com mais de dois milhões de visitas anuais), criando um efeito análogo.

Os conjeturáveis benefícios seriam diversos. Desde logo, permitira que a imagem da cidade se projetasse internacionalmente como uma urbe do século XXI e, por extensão contribuiria também para veicular no plano externo a dimensão de modernidade da região do Minho e até da própria Eurorregião da Galiza e Norte de Portugal. A criação de um ícone arquitetónico dessa natureza, que se tornasse num referente cultural europeu ou global, inseriria no perfil de Braga o aspeto cosmopolita e reforçaria a sua capacidade de comunicação com o mundo inteiro.

Depois, ao fortalecer a atratividade turística da cidade e do distrito, geraria um previsível impacto económico muito positivo no seu seio. Se atentarmos noutras experiências similares de sucesso (e.g. o Louvre de Lens, a Tate de Liverpool, o Pompidou de Metz) damo-nos conta de que a atividade de um museu encerra um enorme potencial para desenvolver a economia - sobretudo gerando mais emprego (direto e indireto), nomeadamente na construção civil e nos serviços, e captando maior riqueza deixada pelos visitantes (ajudando a elevar a receita fiscal nacional) - e dinamizar os negócios - em especial os ligados aos setores do comércio, restauração e hotelaria - na sua zona de influência geográfica.

Por outro lado, um empreendimento desse tipo poderia servir para promover a reabilitação e revitalização de alguma zona mais depauperada ou deprimida da cidade, da sua periferia ou dos seus arredores. Teria, assim, para além de valor cultural e económico, um significativo alcance ecológico, tanto maior quanto o edifício para acolher o museu tiver sido planeado para corresponder a preocupações ambientais e as fomentar e multiplicar, mediante ações educativas, no tecido urbano envolvente.

Um projeto com tais caraterísticas poderia ainda ter a virtude de funcionar como um instrumento em prol não só da elevação dos níveis de educação artística e cultural de Braga (e do país) - propósito suscetível de ser mais eficiente e facilmente alcançado mediante parcerias com a universidade, tirando partido da sua capacidade académica - mas também do incentivo ao empreendedorismo no espaço da indústria criativa nortenha.

Enfim, encontra-se subjacente a esta proposta a convicção de que a cultura representa hoje um poderoso recurso para induzir prosperidade numa cidade ou numa região. Foi nesse sentido que o universitário brasileiro Pedro Fiori Arantes bem destacou (citando Hal Foster) no seu artigo “Forma, valor e renda na arquitetura contemporânea”, (2010): «(…) depois dessa obra [o Guggenheim], a arquitetura não foi mais a mesma e vivemos a cada novo projeto do gênero uma espécie de “efeito Bilbao”, no qual cada cidade procura construir um espetáculo de magnitude similar com o objetivo de atrair novos fluxos de capital.». Eis uma ideia para a Braga do futuro.

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