Correio do Minho

Braga,

O ensino profissional na ESCA

Antecedentes… (parte II)

Voz às Escolas

2013-03-18 às 06h00

Hortense Lopes dos Santos

O Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de março, marca o regresso dos cursos de caráter profissional às escolas secundárias. A par dos Cursos Científico-Humanísticos, dos Cursos Tecnológicos e dos Cursos Artísticos Especializados, surgem então os Cursos Profissionais, ministrados até então em escolas profissionais.

Na Escola Secundária Carlos Amarante, como noutras escolas, a extinção progressiva dos cursos tecnológicos tornou necessária a rentabilização de recursos humanos e físicos - professores das áreas técnicas de mecânica, eletricidade, eletrónica e construção civil e instalações e equipamentos ligados a estas vertentes tradicionais.

O facto de os cursos profissionais serem financiados pelo Programa Operacional Potencial Humano (POPH) representou, por sua vez, uma mais-valia para a escola. Porém, a criação de cursos profissionais trouxe muitas outras virtualidades à escola, representando muito mais que uma questão de história, tradição e recursos financeiros.

A Escola Secundária Carlos Amarante possui relações privilegiadas com as entidades empregadoras da região. O facto de ter lecionado cursos de caráter técnico ao longo da sua história contribuiu para a formação de muitos dos empregadores com quem hoje tem contacto.
Assim, nunca houve dificuldade em integrar alunos em empresas para a formação em contexto de trabalho. Há, inclusive, situações em que são as próprias empresas que solicitam formandos desta escola, conhecedores da preparação ministrada que os próprios receberam.

A diversificação da oferta formativa permitiu chegar a um público que, de outro modo, não estaria a frequentar a ESCA.
As exigências e os desafios que este modelo acarreta criaram uma nova dinâmica na escola. Os professores tiveram de pensar em novas estratégias, novas abordagens para obter os bons resultados de sempre, pese embora os obtidos na formação científica dos cursos profissionais se mostrarem ainda pouco satisfatórios.

O texto que a seguir se transcreve, escrito por uma professora dos cursos profissionais da Escola Secundária Carlos Amarante, Quitéria Mateus, é um bom exemplo do sentir de alguns professores da ESCA em relação aos cursos profissionais e ao trabalho que desenvolvem com estes alunos:
“Alunos dos Cursos Profissionais: ‘nem santos nem pecadores’.

Os Alunos dos Cursos Profissionais são muitas vezes considerados Alunos de segunda categoria - mal-educados, desmotivados, que veem a Escola apenas como um mero passatempo, um acidente de percurso, ao longo da atribulada fase da juventude e não como uma instituição, que se apresenta como um dos mais importantes agentes de socialização para a construção da sua personalidade.

Como professora do Ensino Profissional considero que, por vezes, esses pontos de vista têm de facto um fundamento. Mas não devemos tomar a parte pelo todo. Considero que estes Alunos são pessoas, que quando chegam ao ensino secundário, carregam já consigo um fardo constituído de preconceitos acerca dos outros; uma desconfiança e total indiferença face ao mundo, atitudes que me deixam perplexa e triste.

Nas primeiras aulas, a maior parte destes Alunos assume uma atitude defensiva. Mas ao longo das aulas não me limito apenas a olhá-los; procuro observá-los, captar significado das reações mais inesperadas, quer em termos de aprendizagem de conteúdos, quer em termos comportamentais. E chego muitas vezes à conclusão que estes Alunos têm tendência para desistir de si mesmos, ao invés de lutar e superar as dificuldades.

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