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O erro do erre e outras contas fantásticas

Proteção de Dados pós confinamento

O erro do erre e outras contas fantásticas

Ideias

2021-04-07 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Sobrevivi para rever as esplanadas cheias. Logo faço questão de abancar onde apanhe lugar e encomendar do que tenham, conquanto menos me adite do que aquilo que eu preferisse, mas pachorra não tenha para esperar.
O covid caiu, caiu, sendo contas que todos podem fazer. Tanto caiu, que o único espantalho que restou foi o do ERRE, que em rigor é um indicador fantasma, uma aproximação, um cálculo com base em variantes que os cientistas de tuta e meia jogam como malabares.
Vejamos: supõe-se que o ERRE expresse quantas pessoas um portador activo possa infectar. Sim, porque falamos de uma doença contagiosa, que passa de Abel para Bernardo ou de Ana para Beatriz, sendo sexista. Transmissões cruzadas são igualmente de considerar.
Nós saberíamos o ERRE de Abel, por convenção, se conseguíssemos identificar, dos seus contactos, aqueles que igualmente adoeceram: certo? Só que as contas não vão assim, porque Bernardo poderia ter contraído o vírus de Álvaro, de quem nós poderemos nunca saber a existência, porque tenha remido espontaneamente, digamos.
Vejamos um caso simples. Por dez homens é composta a companha de um barco de largo, que sai e regressa em duas semanas. No primeiro dia de descanso um dos tripulantes cai doente e é diagnosticado. Dois dias depois, três dias, adoecem os demais, a saber, nove em nove. O ERRE deste caso concreto é quê: é 9? E se cada um dos nove não foi infectado pelo primeiro, porque cozinhe cada um seu vector de infecção?
Arrumemos o ERRE concreto na sua impossibilidade. O ERRE abstracto há de medir a contagiabilidade, bem entendido, quando uma epidemia se encontra em EXPANSÃO, espelhando o número de casos a mais, dentro do período de incubação, a partir de um número determinado de casos identificados. Ora eu só não sei o que é que o ERRE mede quando uma epidemia está em REGRESSÃO. É possível que haja um cientista que me explique, com voltas que eu não entenda, porque se quiser explicar-me com voltas que os dois entendamos, estou em crer que, então, fique ele sem perceber com o que é que opera.
Como é que tanto serve ERRE, como indicador de perigo, e nada serve, em contrário, o rácio de recuperados sobre infectados, ou de óbitos sobre infectados? Porque é que nos assa- nhamos no que determina restrições, desprezando o que deveriam ser as práticas adequadas de vida e convívio social?
Desde o princípio que vivemos de pseudociência, e o epítome foram as desinfecções da via pública, a paranóia do vírus no tampo das mesas, e da máscara porque sim, mesmo quando por outra porta insistiam, os mesmos doutos, na transmissão por respiração de ar saturado. Propagar deliberadamente uma doença, é crime, propagar medos, crime é.
E como estamos com as vacinas? Fomos sabendo que há vacinas para todas as carteiras, desde o euro e picos até aos quinze menos uns trocos. Em suma, da mais em conta, com uma bagatela de cem milhões resolvíamos o problema, o busílis é que o remédio não abunda. Do que se entende, a tecnologia está desvendada, só que o preparado não sai para a rua por incapacidade de produção. Até o vidro para os frascos é escasso. É dose!
Sabemos que os testes, hoje, serão grátis ou a sete euros, mas já andaram nos trinta e nos cem. Se custa mais o teste que a cura… Eu nem quero perder tempo com a conclusão.
O desastre do covid, por muito que o não queira quem tem o pescoço no cepo, é um desastre de políticas, de inépcias, é um desastre de atrofiados que acordam com a esperteza que os levou à cama. Enfim, não dormiram sobre o assunto. De dia dormirão, sabe Deus sobre que assuntos.

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