Correio do Minho

Braga, terça-feira

O Estado da Educação (2)

Caminho perigoso

Ideias Políticas

2014-10-28 às 06h00

Francisco Mota

Na continuidade daquilo que foi o meu último artigo de opinião vou debruçar-me sobre a relação entre a educação e o mercado de trabalho, bem como o caminho a seguir no ensino superior em Portugal.

Quanto a esta relação, primordial no alicerçar do futuro, o fundamental é estabelecer uma estratégia entre o plano educativo e a necessidade do tecido empresarial e económico. Só é possível rentabilizar a instrução em Portugal formando e informando os nossos jovens sobre o que os espera aquando da sua entrada no mercado de trabalho, daí que esta matéria choca de frente com a minha segunda abordagem neste artigo sobre o caminho a seguir no ensino superior.

Não podemos continuar a “produzir” nas instituições de ensino superior (IES) “Doutores e Engenheiros” em duas gamas, ora uma lowcost oferecida pelas politécnicos e uma média/alta saídos directamente das universidades. Pois logo aqui, nos deparamos com uma replicação da oferta formativa e um incumprimento claro do objectivo inicial dos dois subsistemas.

O que hoje se verifica é que existem Universidades a quererem ser Politécnicos e vice-versa, rompendo com a ligação técnica e directa ao mercado de trabalho por parte dos politécnicos e por conseguinte quebrando o equilíbrio entre os dois subsistemas, pois eles não são concorrentes mas sim um complemento na oferta às empresas e à iniciativa privada enquanto motor da economia do país.

Assim sendo parece-me essencial apostar em reformas de fundo, que possam valorizar as gerações vindouras e que comprometam politicamente todos os partidos do arco da governabilidade, pois só assim podemos garantir uma educação consequente com os desafios do futuro.

Acredito profundamente que a formação superior tem que ser repensada na base da qualidade e da especialização. É impensável manter percursos académicos sem qualidade, porque até o próprio mercado de trabalho é condicionado. Quanto à sua especialização, é necessário e com urgência repensar a rede de ensino superior, que passa certamente pela especialização das universidades e politécnicos, tendo estes últimos que estabelecer uma ligação directa com as escolas profissionais.

Primeiro regional, de acordo com o território em que o estabelecimento se encontra inserido, potencializando ainda o próprio tecido empresarial e económico local, e depois nacional e internacional correspondendo às necessidades existentes e não à replicação formativa como resposta aos poderes instalados e corporativistas presentes de norte a sul do nosso território que condicionam um ensino superior mais competitivo, livre e de maior qualidade.

O primeiro passo, num caminho longo como este, é dotar de uma maior autonomia de gestão as IES, porque permite que os recursos sejam utilizados de acordo com a estratégia real de cada uma delas, dando-lhes assim, total liberdade de escolha no percurso a seguir. Esta maior autonomia fará ainda realçar, verdadeiramente, a competência, a estratégia e os resultados de cada instituição.

Por fim de referir que nestes últimos três anos muitas barreiras foram quebradas, mesmo com todos os condicionalismos da presença da Troika, mas agora é o momento da tutela ter um empenho maior não apenas nas reformas estruturais do ensino superior, mas sim em todo o modelo educativo, pois só assim poderemos projectar, preparar e autonomizar uma educação de futuro e com resultados.

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