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O fantasma de Jack Crawford adumbrou Novak Djokovic?

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O fantasma de Jack Crawford adumbrou Novak Djokovic?

Escreve quem sabe

2021-09-18 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

No passado domingo, com o Open do Estados Unidos em Nova Iorque terminou o último dos quatro torneios mais importantes do Ténis mundial, depois do Open da Austrália (Melbourne em fevereiro), de Roland Garros (Paris em junho) e de Wimbledon (Londres em julho). Eles compõem o chamado “Grand Slam”, expressão cunhada em 1933 pelo jornalista estadunidense John Kieran para descrever a tentativa, nesse ano, do tenista australiano Jack Crawford de os ganhar todos.
À semelhança de Crawford, também há uma semana o atual número 1 no ranking da Associação de Ténis Profissional, o tenista sérvio Novak Djokovic, falhou esse propósito. Ambos perderam em Nova Iorque, o primeiro jogando ainda na relva do West Side Tennis Club (Forest Hills), tendo sido batido pelo britânico Fred Perry – que nessa altura manteve um tórrido romance com a atriz alemã Marlene Dietrich –, o segundo no USTA Billie Jean King National Tennis Center (Flushing Meadows), derrotado pelo russo Daniil Medvedev.

Apenas cinco jogadores venceram até hoje o Grand Slam na categoria de singulares: Don Budge em 1938, Maureen Connolly em 1953, Rod Laver em 1962 e 1969, Margaret Court em 1970 e Steffi Graf em 1988. E isto em 116 anos, uma vez que o mais recente desses torneios é o da Austrália, criado em 1905 (o inglês surgiu em 1877, o estadunidense em 1881 e francês em 1891). Compreende-se, portanto, que Djokovik esteve bem perto de entrar numa galeria de campeões muito restrita. E, confesso, muito embora aprecie mais jogadores como o suíço Roger Federer, que joga Ténis como um virtuoso do jazz ou o próprio Medvedev, que se move em campo como um mestre de xadrez, torci pelo sucesso de Novak.

Tive a enorme felicidade de assistir às finais dos quatro torneios do Grand Slam deste ano. Sem dúvida que a do Open dos Estados Unidos foi a mais emocionante. Desde logo porque se realizou no maior estádio de Ténis do mundo, batizado com o nome do grande tenista estadunidense negro Arthur Ash, no Corona Park – construído para a Feira Mundial de 1964 –, situado no bairro nova-iorquino de Queens, com um público muito exigente e particularmente ruidoso. Depois porque ocorreu ainda sob o ambiente sentimental no dia anterior, aquele em que a cidade que nunca dorme relembrou os que pereceram vinte anos antes no traumático ataque terrorista às torres gémeas do World Trade Center. Neste 11 de setembro de 2021, quem presenciou os momentos que anteciparam a final de singulares feminina, sentiu lágrimas a formarem-se no canto dos olhos quando ouviu a comovente interpretação do “Star Spangled Banner” pelas cadetes da Academia de West Point.

Porque não conseguiu Djokovic fazer história e perdeu em apenas 3 partidas? Bom, desde logo porque o seu opositor foi melhor a todos os níveis: físico, mental, técnico e tático. Estes jogadores conhecem muito bem o modo de jogar um do outro, porque já se defrontaram várias vezes e mutuamente se estudam. Na final de domingo, o sérvio pareceu querer surpreender o seu adversário com um tipo de jogo que não é nele caraterístico, mas acabou surpreendido consigo mesmo pela sua ineficácia. Esta abriu caminho para uma grande tensão e uma consequente espiral de mais erros e mais frustração. E ao contrário das idas ao balneário nos intervalos de partidas em jogos anteriores, que suscitaram mistério – talvez tenha, conjeturo, a mesma fraqueza de Crawford, que tomava uns tragos de whiskey para se acalmar – e controvérsia – no regresso ao campo trazia uma energia antes ausente – Novak bateu-se até ao fim e chorou quando perdeu.

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