Correio do Minho

Braga,

O fenómeno bullying

Escrever e falar bem Português

Voz às Escolas

2016-05-02 às 06h00

Maria da Graça Moura

A escola, de portas abertas a todos, com objetivos e metas claramente definidas, é uma instituição pública de formação, educação, socialização e qualificação. Nesta perspetiva, o conjunto de missões da escola não se simplifica ao ato de instruir. Tem uma função muito mais ampla, de espaço de educação afetiva, social ou relacional.
Gerir uma instituição educativa é tarefa de grande exigência! Engloba a cultura escolar como um todo. O currículo, os objetivos educacionais, as práticas, os saberes, o espaço e o tempo, o relacionamento humano, as linguagens, os conflitos e os protagonistas de toda a ação escolar. Sendo grande a influência da comunidade envolvente no quotidiano da escola, sendo constantes as diferentes formas de agir, influenciadas por diversos fatores familiares, económicos, sociais, religiosos, é fundamental que o espaço escolar seja um lugar onde predomine a prática democrática na sua total abrangência. A escola é um referencial de crescimento. Deve oferecer aos alunos as condições necessárias para que cada fase seja vivida e construída num contexto de estabilidade e equilíbrio. Algumas crianças têm mais facilidade de socialização, adaptam-se mais rapidamente às normas, às regras da escola. Outras têm dificuldades de adaptação, demonstrando comportamentos variados, atitudes egoístas, agressivas, preconceituosas, gerando múltiplos conflitos.
Aprender a conviver implica aprender a viver com os outros, implica aprender a respeitar todos e todas as normas que regem as relações entre os atores sociais que compõem a comunidade escolar. Trata-se de uma aprendizagem permanente, que começa na infância e se prolonga pela vida.
Infelizmente a escola vive atualmente situações nas quais as transgressões, os atos agressivos e as ocorrências de diferentes níveis de gravidade se tornam cada vez mais presentes. O bullying é reconhecido como problema crónico nas escolas, e com consequências sérias, tanto para vítimas, quanto para agressores. As formas de agressão entre alunos são as mais diversas, como empurrões, pontapés, insultos, espalhar histórias humilhantes, mentiras para expor a vítima a situações vexatórias, inventar apelidos que ferem a dignidade, captar e difundir imagens, cada vez com mais recurso à internet, ameaçar enviando mensagens, e até a exclusão. Às vezes, começa por pequenas palavras, pequenos insultos, situações que parecem insignificantes, que não têm uma vinculação muito agressiva, mas que, para certos jovens, são marcantes. Em relação à forma do corpo, à sua proporção, à aparência, à vestimenta.
O fenómeno bullying é complexo e de difícil solução, mas é urgente trabalhá-lo de forma persistente, integrada e continuada. O desafio não é simples e o envolvimento de professores, assistentes, encarregados de educação e alunos depende de uma intervenção interdisciplinar firme e competente. Com a participação de todos a escola consegue estabelecer normas, diretrizes e ações coerentes. Ações que priorizem a conscientização geral. Toda a comunidade escolar deve ser encorajada a participar ativamente na supervisão e intervenção dos atos de bullying, para garantir um ambiente escolar sadio e seguro.
A escola deve ser sentida como ela realmente é: de todos e para todos!

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