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O fim do dinheiro

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O fim do dinheiro

Escreve quem sabe

2023-07-03 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva Álvaro Moreira da Silva

Na antiguidade, o comércio funcionava como um sistema de permuta, no qual as pessoas procuravam obter um determinado objeto ou serviço através da troca por outro de valor equivalente. Os pré-históricos, por exemplo, trocavam diretamente peles de animais por comida e nem sempre as trocas comerciais eram simples, pois envolviam longas distâncias, produtos de difícil transporte ou até de grande porte. Daí que, para colmatar essas dificuldades, as moedas passassem a ser cunhadas e adotadas, desempenhando um papel fulcral e facilitador nas trocas comerciais entre diferentes povos e variadas geografias.
Nos anos mais recentes, fruto da evolução tecnológica e da adoção massiva de dispositivos móveis, assistimos a um crescimento exponencial de variados mecanismos para efetuar operações financeiras, eliminando a necessidade física do dinheiro. Veja-se, por exemplo, o aparecimento das carteiras digitais, instrumentos de suporte a pagamentos e aquisição de novos produtos e serviços sem acesso direto ao dinheiro em espécie. Este tipo de mecanismos, suportados por aplicativos que «imitam» as carteiras físicas, procuram descomplicar as operações financeiras, na medida em que possibilitam aceder aos seus dados e cartões bancários através de um clique e, consequentemente, ao respetivo dinheiro, sem ter de o levar no bolso.

Infelizmente, por limitações de infraestrutura ou decisões de negócio, ainda não é ainda possível utilizar estas carteiras digitais em todas as lojas físicas. Não obstante, tenho notado que são cada vez mais as superfícies comerciais a procurar disponibilizar diversos métodos de pagamento, de forma a melhorar a experiência dos seus consumidores. Por exemplo, adotando terminais de pagamento automático capacitados de tecnologias NFC – Near Field Communication (comunicação por proximidade) e de códigos bidimensionais QR.
A criação e posterior utilização de uma carteira digital é bastante simples e, na minha opinião, recomenda-se. Para ter uma carteira deste tipo, o utilizador terá de transferir uma aplicação para o seu dispositivo móvel, vinculando a mesma a um ou mais cartões de crédito, débito ou até contas bancárias. De seguida necessita de definir os códigos de segurança para aceder posteriormente ao aplicativo, optando ou não pelas opções mais seguras de reconhecimento facial e/ou da impressão digital. Quaisquer dados introduzidos estarão sempre encriptados, tornando-a mais segura. Para realizar qualquer pagamento numa loja física, o utilizador deverá aproximar o respetivo telemóvel ao terminal capacitado com NFC ou então apontar a câmara do seu dispositivo para o código QR apresentado. Relativamente aos pagamentos de produtos e serviços em lojas não físicas, a utilização da sua carteira digital seguirá uma lógica semelhante, mas ainda mais facilitada por não necessitar de terminal. Ou seja, na hora de concretizar uma compra, bastará ao utilizador preencher os dados de pagamento na aplicação e autorizar a sua concretização.

Recentemente consultei o sítio Statista. Li que no ano de 2022, as carteiras digitais representavam já metade das transações globais de pagamento no comércio eletrónico e que 2,8 mil milhões de carteiras móveis seriam já utilizadas em todo o mundo. Este sítio salienta, no entanto, a dúvida entre utilizar este tipo de carteiras ao invés dos cartões bancários, nomeadamente em países onde a rede de cartões estaria mais solidificada. Curiosamente, vejo que a adoção da tecnologia NFC deverá acentuar-se na Europa até 2024, muito embora esta acentuação seja superada por outras geografias devido à fragmentação interna da própria Europa.
Muito embora não pensemos no tema «dinheiro» com frequência, é visível a forma como tem evoluído a nossa relação com o mesmo ao longo dos tempos. Na minha opinião, mais cedo ou mais tarde, acredito que muitas sociedades se tornarão livres do dinheiro, tal como o conhecemos, em espécie. Adotarão gradativamente a utilização de cartões bancários, carteiras e moedas fiduciárias digitais, futuramente controladas e legisladas pelos bancos e governos. Nesse sentido, acredito ser imperioso que qualquer organização retalhista se mantenha atualizada e disponível para abraçar este tema, de inevitável destino.

*com JMS

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