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O futuro depois do COVID 19

Preso por ter cão... o Estanislau:

O futuro depois do COVID 19

Ideias

2020-04-10 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Mais de 1,5 milhões de pessoas doentes e quase 87 mil mortos, atingindo 192 países ou territórios em todo o mundo. Isto claro, números que foram confirmados, porque seguramente muitas mais pessoas terão sido tocadas pelo vírus, ainda que de forma ligeira ou sintomática. A indústria farmacêutica e centros de investigação, por todo o mundo, a trabalhar de forma cooperativa, lutando contra o tempo, à procura de uma vacina ou de remédios eficientes, e de condições que garantam a sua produção nas quantidades maciças que serão necessárias. Os Estados Unidos confrontados com a taxa de crescimento mais rápida da pandemia, lembrando-nos das vantagens de termos um sistema nacional de saúde, não dependente do pagamento de seguros de quem tem muito dinheiro para os fazer.

E apesar do extraordinário progresso tecnológico, a receita fundamental para fazer a diferença no progresso da doença, foi o confinamento, basicamente o mesmo que desde há séculos foi sendo utilizado em pragas do mesmo tipo, incluindo a peste ou a gripe espanhola! Enfim, cidades vazias, fantasmas, onde curiosamente os animais começam a voltar, habitadas pela memória. Na Páscoa, que durante muito tempo me soube a mar e a sol, estamos por agora todos recolhidos em casa, como devemos fazer para que em Maio voltemos aos dias normais.

As notícias que vamos ouvindo parecem confirmar de facto essa possibilidade. O pico da pandemia pode já ter passado. Diversos países na Europa previram e divulgaram um calendário de retorno. Rodeados de cautela, porque no fundo ninguém sabe ainda nada verdadeiramente seguro sobre a doença, e porque a experiência passada, nomeadamente da gripe espanhola um século atrás aponta para uma possibilidade real de uma segunda vaga da pandemia. Nós todos, neste belo país à beira mar plantado, adoramos discordar de tudo, opinar sobre tudo e sempre, sempre minimizarmo-nos. Mas parece que as coisas até têm evoluído de forma bastante positiva. Um jornal francês chama-lhe até “o mistério português”, face ao que se passa aqui na vizinha Espanha ou em França, para não falar da Itália. A avaliar pelos resultados, em termos comparativos, as medidas têm sido tomadas de forma atempada, adequada e consistente, adaptando-se com certeza às restrições com que todos os países se confrontam, por forma a limitar os danos em termos de saúde. E sublinhe-se que, por cá, os hospitais públicos têm-se mantido operacionais. Não chega bater palmas, e depois esquecer.

Voltar ao normal? Não, não vamos. A crise económica vai demorar bastante mais tempo. Sabe-se pouco, porque se tratará de uma crise global e sem precedentes. O que parece ser claro é que as respostas não podem ser de cada país, individualmente. Atualmente, o comércio representa cerca de 60% do PIB mundial, e as economias não vivem isoladas uma das outras. As cadeias de valor globais são responsáveis já por dois terços do comércio mundial. Um produto, hoje, pode ser o resultado da produção das suas diversas partes, ou da montagem, em variados países, cada uma das fases criando valor e gerando empregos nos mais diversos pontos do globo. Essa disseminação da produção, digamos assim, foi facilitada pelo progresso tecnológico nomeadamente ao nível da informação e da comunicação, pela crescente robotização e pela abertura dos mercados. É preciso que a China produza partes e componentes, é preciso que as empresas fornecedoras por todo o lado recomecem a produzir, é preciso que o consumo global dispare de novo. O choque imposto à economia global pelo COVID 19 foi demasiado grande. E esta crise pertence ao grupo daquelas que não podiam ser previstas antes.

Discute-se por agora a duração e a tipologia. Os mais otimistas dirão que será uma crise em V, isto é, depois de passado o confinamento, a economia ganhará forças, e a sua recuperação será rápida. Como uma bola que bate no chão, e ganha uma força substantiva ao saltar.
Os menos otimistas pelo contrário defendem que a crise económica será parecida com um U. Acabará por recuperar, mas depois de algum tempo, mais ou menos longo. Tendo em vista as hesitações e dificuldades da União Europeia para formular uma política comum de intervenção na economia, a coisa vai ser complicada. Em Portugal, a estrutura empresarial formada por uma generalidade de micro e pequenas empresas, muitas delas apenas sobrevivendo, não terá uma vida fácil. E será sempre necessário ponderar os instrumentos de política económica face à necessidade de não piorar ainda mais as coisas com regresso a uma crescente dívida soberana.
Mas é Páscoa. Que seja, para todos, a melhor possível.

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