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O futuro desenhado pela China

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O futuro desenhado pela China

Escreve quem sabe

2021-04-03 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

O Partido Comunista Chinês foi fundado, com apenas 50 membros, em julho de 1921, mais de três meses depois, ao que parece, do Partido Comunista Português. Vinte e oito anos mais tarde, a 1 de outubro de 1949, Mao Tse-Tung proclamou o estabelecimento da República Popular da China (RPC). Terminou nessa altura a Revolução Chinesa (encetada em 1911 por Sun Yat-Sen) e o chamado “século de humilhação” ou de subjugação pelas potências ocidentais, Rússia e Japão. Principiou, ao mesmo tempo, um processo de ascensão gradual da RPC a Superpotência mundial. Essa sua capacidade de influência nos planos económico, militar, diplomático, tecnológico e cultural à escala global tornou-se evidente a partir da presidência de Jian Zemin (1993-2003) – período em que regressaram à possessão chinesa os territórios de Hong Kong em 1997 e de Macau em 1999, respetivamente concessionados à Grã-Bretanha e a Portugal –, mais ainda com a de Hu Jintao (2003-2013) e de modo inequívoco com a de Xi Jiping (desde 2013).

Esses três líderes, curiosamente todos engenheiros de formação e profissão, não somente têm assegurado uma grande estabilidade política interna na RPC – os dois primeiros governaram-na por uma década e o último, seu 6º Presi- dente (reeleito por unanimidade em 2018), está mandatado para o fazer até 2023 – como igualmente têm sabido ampliar o seu horizonte de ambição crescente.
Impressiona, sobremaneira, a dinâmica progressista desta nação! Com o mesmo arrojo do seu primeiro imperador, Qin Shihuang, que unificou os sete reinos em 221 a.C., construiu a grande muralha e, segundo Jorge-Luís Borges em Otras Inquiriciones, mandou reiniciar a História e renomear toda a realidade, apressa-se agora a criar as condições para fazer do século XXI o do fulgor da RPC, tendo delineado uma visão a estar concretizada no ano do centenário da sua criação: 2049.

Os elementos concorrentes para tornar essa visão real são vários. Destaco os 5 mais emblemáticos. Desde logo, o “Projeto Escudo Dourado” (J?ndùn G?ngchéng), lançado no final da presidência de Zemin, destinado à criação de um sistema de segurança para a rede de comunicações eletrónicas do país, embora na prática funcione como um híper-dispositivo panótico de vigilância das mesmas. Depois o “Sistema de Crédito Social” (Shèhuì Xìnyòng T?xì), posto em marcha na presidência de Jintao, com o intuito de fazer engenharia social através da gestão da reputação (ética e financeira) dos cidadãos chineses, implementado com sucesso ao nível regional, mas ainda não ao nível nacional. O terceiro, já sob a presidência de Jiping, é a estratégia “Um Cinturão, Uma Rota” (Yi Dai Yi Lu) que procura ligar a Ásia, a África e a Europa através de redes terrestres e marítimas com o objetivo de melhorar a integração regional, aumentar o comércio e estimular o crescimento económico. O quarto é o programa de reforma socio-ambiental “Civilização Ecológica” (Sh?ngtài Wénmíng) para dar resposta aos problemas climáticos globais com políticas ecossociais de sustentabilidade. O último e mais recente é a iniciativa “Made in China 2025” (Zhongguo zhizao 2025) que pretende reconfigurar o setor industrial do país centrando-o na produção inovadora de tecnologia de alta qualidade em detrimento da manufatura intensiva de tecnologia pouco sofisticada em grande quantidade.
Com cada um destes elementos, mas não só, a RPC vai desenhando paulatinamente o nosso porvir próximo global. Teremos de seguir a sua evolução com atenção. E teremos também de perguntar-nos pelos motivos de faltar idêntica ambição à U.E. e aos E.U.A.

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