Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +

O futuro do associativismo empresarial

O plano que permitirá um Portugal mais resiliente

Escreve quem sabe

2016-12-16 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Por iniciativa da CCP - Confederação do Comércio e Serviços de Portugal realizou-se este mês, em Lisboa, uma sessão evocativa dos 40 anos desta instituição, que mobilizou a “nata” do movimento associativo empresarial em Portugal, bem como governantes, políticos e o mais alto magistrado da nação.
Uma das temáticas abordadas foi o passado, presente e futuro do movimento associativo empresarial, tendo sido dado conhecimento, em primeira mão, das principais conclusões de um estudo encomendado pela CCP sobre o assunto a uma prestigiada consultora internacional.
Falar do movimento associativo empresarial ligado ao comércio e serviços é falar dos setores que mais impulsionam a economia portuguesa e, como foi sublinhado pela generalidade dos oradores e presentes nesse encontro, é falar do futuro de Portugal no mundo.
Atendendo aos indicadores de caraterização do tecido empresarial português, estes setores assumem um peso determinante no que respeita ao número de sociedades, volume de negócios e pessoal ao serviço das empresas. Os números são esmagadores. O setor dos serviços é o setor que agrega mais empresas em Portugal, cerca de 29%, seguido do setor do comércio, que regista 26%. Juntos representam mais de 240 mil empresas (num total de 370 mil). Ao nível do volume de negócio é o setor do comércio que mais valor gera à economia portuguesa (37%), assumindo o setor dos serviços o terceiro lugar do ranking com um peso de cerca de 18%. Juntos representam mais de 181.000 milhões de euros de volume de negócios por ano. Também no emprego se verifica a enorme preponderância destes setores, que, juntos, representam cerca de 57% do pessoal ao serviço das empresas em Portugal, empregando mais de 2 milhões de portugueses.
No que respeita à importância do movimento associativo foram salientadas a sua representatividade e o contributo decisivo para o crescimento económico e internacionalização da economia. O movimento associativo empresarial é transversal a todos os setores económicos, garantindo a defesa dos interesses das empresas. Constitui-se como um dos pilares da promoção do crescimento económico e da economia de mercado em Portugal, assumindo um papel dinamizador da internacionalização das PME portuguesas.
Encontramos na base de todo este movimento associativo muitos milhares de empresas e centenas de associações empresariais, que se ocupam, de forma empenhada e construtiva, em dar corpo a todo um sistema vital para a sociedade portuguesa em termos económicos, sociais e culturais.
As associações possuem hoje estruturas profissionais relevantes com competências associativas e empresariais muito desenvolvidas e úteis para apoiar as empresas, os parceiros sociais e os organismos do estado. Nem sempre esta realidade é percebida, aceite e potenciada quando se definem orientações, políticas e medidas com impacto direto na vida das empresas e dos cidadãos.
As estruturas associativas empresariais, como outras organizações da sociedade civil em Portugal, debatem-se, permanentemente, com a necessidade e enorme desafio de procurarem fontes de financiamento que promovam a sua sustenta- bilidade, autonomia e independência.
Muitas vezes refere-se, com forte pendor pejorativo e discriminatório, que estas estruturas associativas vivem de financiamento público, sendo “subsídio-dependentes”.
Quem assim pensa, e insistentemente o refere, não conhece a realidade do movimento associativo português. O que na verdade acontece na maioria das situações é uma atuação das associações empresariais baseada numa prestação de serviços que deriva da execução de contratos celebrados com estado português e outros organismos públicos para a implementação de políticas, programas e medidas de reconhecido interesse geral para as empresas e cidadãos, como sucede nas áreas da capacitação empresarial, inovação, empreendedorismo, formação profissional, entre muitas outras áreas fulcrais para a melhoria da competitividade das nossas empresas.
Temos de ser claros e assumir sem tibiezas e complexos o que queremos que seja o movimento associativo empresarial em Portugal. Neste sentido, importará promover uma reflexão alargada sobre esta questão relevante para as empresas e sociedade portuguesa. Com um movimento associativo empresarial mais forte, coeso e atuante ganham as empresas e ganha Portugal.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

29 Setembro 2020

Idoso

27 Setembro 2020

“Com certeza que não”

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho