Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

O gelo de Helsínquia que pode arrefecer o sul da Europa

Criado... não aceita mau destino

 O gelo de Helsínquia que pode arrefecer o sul da Europa

Ideias

2020-06-17 às 06h00

Carlos Vilas Boas Carlos Vilas Boas

A euforia criada com o plano delineado pela Comissão Europeia conhecido como Next Generation UE, um ambicioso fundo de recuperação de 750 mil milhões de euros, que bafejaria Portugal com 26,3 mil milhões de euros, sendo 15,5 mil milhões em subsídios, financiado com novos impostos sobre poluição, plástico, grandes multinacionais e gigantes da tecnologia e 10,8 mil milhões em empréstimos, pode ter esfriado com a sua rejeição pelo parlamento finlandês no passado dia 12 de junho.

Se a Presidente da Comissão Von der Leyen, a quem se reconhece o principal mérito político da proposta, já não teria a tarefa fácil de convencer os países frugais - Países Baixos, a Áustria, a Suécia e a Dinamarca -, declaradamente renitentes em aprovar o plano, a posição da Grande Comissão (a comissão parlamentar responsável pelas políticas europeias da Finlândia) em apoiar a posição do próprio governo a favor da não aprovação do plano, coloca em risco a necessária aprovação do Conselho Europeu.
Relativamente a Portugal, é praticamente unânime a consideração que o país, para sair da crise, precisa dos montantes que lhe estão destinados no “Próxima Geração EU”, de que seria o oitavo mais beneficiado, sobretudo vindo grande parte a fundo perdido.

O país enfrenta uma profunda crise social, económica, financeira e orçamental. A quebra do PIB em 2020 está agora estimada entre 6,9% (a previsão do governo, a mais otimista) e 12% do PIB o que, mesmo no cenário mais benigno, significa o dobro da diminuição do PIB de 2012, o pior ano do período da troika. A saída repentina de Mário Centeno da pasta de Finanças também não ajuda a uma visão otimista.
Neste panorama, é essencial perceber o alcance da perspetiva finlandesa. O argumento legal que a proposta da Comissão Europeia constitui um desvio substancial ao princípio do equilíbrio orçamental estabelecido no artigo 310º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia não convence.

No entanto, a posição finlandesa, alinhada com os frugais, não parecer ser de rejeição absoluta, ao contrário, perpassa a ideia que significará tão-somente um posicionamento num novo quadro de distribuição da riqueza comunitária, de modo a garantir para si uma maior fatia do bolo que lhe estava destinada ou, pelo menos, com menor sacrifício, visto que os países do sul, sobretudo a Itália e a Espanha, serão os mais beneficiados com o recovery plan. Daí que a notícia tenha passado nos noticiários sem grande destaque.
Com efeito, o que a Finlândia pretende é não a eliminação, mas sim a redução do valor do fundo comunitário global e do fundo alocado a subvenções, para dar maior peso à componente de empréstimos dos Estados Membros e à diminuição do prazo para os pagamentos. Mais se isso viesse a obter vencimento em sede de Conselho Europeu, sobretudo a redução do valor das subvenções viria a ter um enorme significado negativo para a fragilizada economia portuguesa.

É certo que os países do sul da Europa poderão continuar a contar com as compras de dívida da zona euro pelo BCE (a Pimco, tido como o maior fundo de investimentos do mundo, assinalou que esta ação do BCE é mais importante para os países da UE com dívidas elevadas que o próprio fundo de recuperação) mas há que contar no futuro com os reflexos da decisão do Tribunal Constitucional Alemão, que questionou a competência do BCE para recomprar massivamente dívida pública e pode ter consequências na participação do Bundesbank na participação em programas anticrise, se o Conselho do BCE falhar em demonstrar, “de maneira compreensiva e substancial”, “que não excedeu os tratados europeus”.

Espera-se que, desta vez, a liderança alemã de Ângela Merkel tenha a capacidade de impor o programa aos países divergentes. Depois da saída do Reino Unido da UE, uma saída precipitada da Itália poderia ditar o fim do Euro. E, sem poder de compra dos europeus, quem haveria de comprar os produtos alemães?
Mas não caiamos na armadilha, pois o que devemos é conservar o dinheiro que a EU nos entregar, comprar sim, mas no comércio local, onde há excelentes produtos e comerciantes, sem reexportamos o que recebemos.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho