Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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O Governo num beco sem saída

Muro de Gelo

Ideias

2012-09-07 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Apesar de todas as medidas de austeridade impostas pela Troika e implementadas pelo governo; apesar de os portugueses se terem sujeitado a um processo de emagrecimento com aumento de impostos, diminuição de gastos com politicas sociais e aumento do preço dos serviços públicos; apesar disso tudo, o défice não será o previsto do 4.6%, mas muito seguramente de 6%.

Sentindo o fracasso, veio o Presidente da República sublinhar que a culpa é da Troika e que Portugal foi um bom aluno, aplicando e ultrapassando as medidas previstas. Esta semana a Troika vem declarar, porém, que a responsabilidade do programa de ajustamento é do governo.

E percebe-se esta afirmação, já que o programa se baseia no modelo macroeconómico, que tem que funcionar, ou então a Economia não é uma ciência, ou então Portugal é um caso atípico que não se deixa amarrar na modelação económica.

No essencial, o programa foi implementado. Houve diminuição de despesas e aumento de impostos. Só que o aumento de impostos trouxe como consequência a falência de muitas empresas, a diminuição do consumo, o desemprego e, por conseguinte, a diminuição da receita que resulta nos impostos arrecadados. E quanto mais se radicaliza o modelo, mais a depressão se acentua. Mas o governo quis isto e por isso pressionou pela queda do governo anterior, que pretendia adiar o recurso à Troika. E ainda está por provar qual teria sido a melhor solução.

Para já sabemos que esta não serve, a não ser que se destruam todos os equilíbrios sociais criados nos últimos 50 anos e o País desista de ser um país em desenvolvimento.

Mas o governo tem também responsabilidades porque não levou a bom termo as denominadas reformas estruturais. Ainda esta semana se anunciava o aumento das dividas das empresas publicas. E isto apesar do aumento do tarifário e da diminuição das despesas com pessoal. Porquê então o aumento dos prejuízos? Má gestão é a palavra adequada.

Esta resposta atira-nos para um tema que iremos desenvolver num dos próximos números - o tema das elites; por outras palavras, quem tem governado Portugal e porque é que a crise é uma constante do nosso país.

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