Correio do Minho

Braga, terça-feira

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O Governo que aí vem

Vamos falar de voluntariado…

Ideias

2011-06-24 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Já muito se tem dito sobre o novo governo. A direita louva a sua configuração e espera dele a salvação do país. A esquerda e os sindicatos estão expectantes com o que aí vem. Mas algumas coisas podem ser ditas desde já.
Trata-se do governo mais à direita desde Marcelo Caetano. A acreditar no que escreveram e vão dizendo grande parte deles, querem ir além do documento da troika. Entendem que as medidas impostas pelo FMI/EU são medidas de mero curto prazo e visam fazer face de imediato à falta de liquidez do Estado. Mas que importa repensar o Estado e as suas funções, pelo que se torna necessária uma revisão profunda da Constituição, para que sirva de estrutura e suporte a um novo figurino do Estado. O Estado ter-se-á transformado num monstro que tudo suga e pouco produz. É o neo-liberalismo no seu melhor.
Para outros, o governo é uma construção arrojada, ao enquadrar 4 independentes num universo de 11 ministros. Mas será isto positivo num quadro económico de recessão e austeridade? A tarimba partidária pode ser importante quando se procura negociar medidas de austeridade e o envolvimento dos cidadãos. Os independentes são difíceis de coordenar com um primeiro-ministro sem experiência governativa. Como não têm restrição do topo partidário procuram impor os seus pontos de vista, descurando a teia de interesses. E isto pode ser bom num Estado clientelar, mas rapidamente leva à desistência porque as melhores ideias são bloqueadas ou levam a tentativas de autoritarismo. O independente tende então, em nome do interesse nacional, a transformar-se em árbitro.
Foi assim na história de Portugal, os independentes ou falharam, ou foram o advento de governos autoritários. E a sociedade portuguesa está demasiado crispada para se pensar que os problemas se resolvem com medidas técnicas e racionais.
O rei D. Carlos bem tentou nos finais do século XIX resolver o problema da dívida com o recurso a independentes e o resultado é bem conhecido.

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