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O “Grito” do Patrono dos Caminheiros

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O “Grito” do Patrono dos Caminheiros

Escreve quem sabe

2024-04-12 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

«Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não porem o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero.»

Este “grito” de São Paulo, o Patrono dos caminheiros, alerta a nossa consciência de homens para o facto de transportarmos, na nossa própria carne, as consequências de luta permanente entre o “Bem” e o “Mal”, à qual dificilmente respondemos, com uma atitude reta e coerente, ao apelo amoroso de Deus, nos caminhos das nossas vidas.
Tal como Paulo, também nós, caminheiros e dirigentes, somos chamados a fazer ouvir a Sua voz, para que, com o testemunho dado, todos os outros possam responder a este apelo amoroso de Deus.
O Rover, designação específica do acampamento de caminheiros, deverá sempre refletir uma marca indelével nos seus participantes, tal como aquele encontro do Senhor com Saulo de Tarso, a caminho de Damasco: uma mudança profunda na vida dos membros desta “cidade de lona”.

Neste sentido, todos os caminheiros de um Rover serão Bem-Aventurados por emprestarem a sua voz a todos os que a perderam. Esta luta que dilacera o coração humano, na fronteira da liberdade e do dever, é tão profunda que o mesmo apóstolo chega a afirmar que cada homem é formado por dois: “O Homem Velho, levado pelo princípio do mal” e o “Homem Novo, levado pelo fermento da Páscoa de Cristo” (1 Cor 5, 7).
Que, nestes dias de peregrinos, por uma qualquer, ilha da Esperança, batizada com o nome do nosso Patrono Mundial, cada caminheiro saiba aproveitar os tempos de aprendizagem, de serviço e de partilha fraterna para libertar o seu “Homem Novo” tendo consciência que o protótipo do Homem Novo é Cristo, o Filho de Deus que, feito homem, desceu à terra e que o próprio se auto identificou como sendo “O Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6).
Pensemos no “grito” lançado bebé que nasce e que parece dizer à mãe: “olá, cheguei, cá estou vivinho! E no grito de Paulo que, quando atingido pelo raio de luz, caiu do cavalo e para ele foi o início de uma nova vida dedicada ao serviço do Senhor.

Ou o grito dos caminheiros quando se reencontram em campo não será ele sinal de alegria pelo reencontro de velhos amigos de tantos caminhos. Ou o grito libertador de energia, quando são atingidos os objetivos, o retomar de novos caminhos, de novas verdades e de novas vidas. Que nos dirão os gritos soltos depois uma jornada de serviço samaritano ao próximo, não exprimem eles a felicidade que supera a dor e o cansaço?
Estes gritos que brotam do coração e que marcam o final de uma etapa e o recomeço de uma nova caminhada, são sinal de crescimento interior, social e espiritual que vos levarão a uma sólida aprendizagem na prestação de serviço aos mais frágeis e à partilha com o próximo que, gradativamente, vos conduzirá ao estatuto de “Bom Samaritano”, de semeadores de Esperança e de construtores de Paz.

Então sereis verdadeiros membros da “Comunidade da Vida ao Ar Livre” 1 com que o Baden-Powell sonhava para todos os Caminheiros e que vos tornastes verdadeiros seguidores do Homem Novo e no final todos reconhecerão que cada um de vós deixou o mundo um pouco melhor do que o encontrou. Que vivestes felizes e que fizestes os outros felizes!
Como nos lembrou, no passado dia 29 de março último, o Senhor Arcebispo - Dom José Cordeiro, na Oração de Laudes da Sexta-feira da Paixão do Senhor, na Sé Catedral de Braga: «É necessário ajudar as crianças, os adolescentes e os jovens a desenvolverem uma personalidade de paz» enfatizando que estes devem ter uma «educação para a paz e o perdão».


1 In Baden-Powell, A Caminho do Triunfo, Edições Flor de Lis, 2ª Edição, Companhia Editora do Minho, Barcelos, 1974, p. 9.

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