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O Impacto do Novo Confinamento na Economia Portuguesa

A recuperação das aprendizagens

O Impacto do Novo Confinamento na Economia Portuguesa

Ideias

2021-01-30 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

No quarto trimestre de 2020 houve uma interrupção da recuperação da atividade económica portuguesa encetada desde maio passado. Na verdade, no quarto trimestre de 2020 verificou-se uma contração da taxa de crescimento económico ou do Produto Interno Bruto (PIB) em cadeia de -1.8% (face ao trimestre anterior). Ora, em 2021 é expetável que venha a se assistir a um novo recuo da taxa de crescimento do PIB, em particular, no seu primeiro trimestre (de 6% a 7%). Este facto resulta da deterioração da pandemia, da vacinação lenta e do novo confinamento. Aliás, o novo confinamento apresenta-se em moldes muito semelhantes ao verificado em abril de 2020, a quando da primeira onda pandémica. Assim, recente publicação do Boletim Económico do Banco de Portugal (BdP) aponta para que em 2021 o impacto do novo confinamento na economia portuguesa pode traduzir-se em dois possíveis cenários:
(1) “cenário severo” ou
(2) “cenário moderado”.
Em ambos os casos, toma-se por referência o “cenário base” do BdP (isto é, antes do agravamento da pandemia e do novo confinamento), com as seguintes previsões da taxa de crescimento do PIB português: - 8,1% em 2020; 3,9% em 2021; 4,5% em 2022; 2,4% em 2023. Porém, seja qual for os cenários em causa todos os economistas concordam que a economia portuguesa embora penalizada pelo agravamento da crise retorne a anterior trajetória de crescimento económico ainda em 2021. Temos então os dois cenários:
(1) “Cenário severo”: o novo confinamento induzirá em 2021 a uma taxa de crescimento do PIB de apenas 1,3% (contra os 3,9% do “cenário base” do BdP). Estamos, deste modo, perante o cenário “severo” em termos de contração da atividade económica portuguesa (face ao “cenário base” do BdP): - 8.2% em 2020; 1,3% em 2021; 3,1% em 2022; 2,4% em 2023. O argumento principal é a de ser realista dada a maior dificuldade em controlar o aumento dos novos casos de Covid-19 no final de 2020 e a uma subida significativa de novas infeções no primeiro trimestre de 2021. Perante este quadro pode ser necessário um reforço das medidas de contenção e a introdução de novos confinamentos mais duros e persistentes. Por sua vez, o mercado de trabalho será fortemente afetado, prevendo-se uma taxa de desemprego próximo de 10% em 2021 (contra os 7,5% em 2020), como resultado das muitas falências de empresas que surgirão. Apontam, ainda, que a solução médica eficaz apenas surgirá na segunda metade de 2021 com um processo de vacinação em larga escala, gradual e ao longo de todo o ano. Contudo, admitem que a ação da governação pode atenuar os efeitos económicos e sociais negativos através da compensação de perdas de rendimentos.
(2) “Cenário moderado”: o novo confinamento implicará em 2021 numa taxa de crescimento do PIB de 5,9%, um valor, aliás, acima da estimativa do “cenário base” do BdP de 3,9%. Quer dizer, temos agora um cenário “moderado” do impacto do novo confinamento na economia: -8.0% em 2020; 5,9% em 2021; 4,8% em 2022; 2,4% em 2023. Considera-se que a quebra da economia de 6% a 7% do PIB no primeiro trimestre de 2021 face ao trimestre anterior terá uma dimensão menor quando comparada com situação idêntica do segundo trimestre de 2020, quando a quebra foi de 13,9%. Mas, quais são os argumentos utilizados? Por um lado, pensa-se que o novo confinamento terá uma dimensão temporal menor do que a da primeira onda, além de ser esperado o avanço da vacinação. Por outro lado, indica-se que desde o início da crise pandémica na primavera de 2020, a sociedade tem vindo a mostrar elevada capacidade de adaptação aos choques adversos e, assim, tem vindo a encontrar formas cada vez mais criativas de atuação visando contornar ao menos parcialmente os problemas surgidos. Desta forma, atenua-se o efeito contrativo das restrições sanitárias sobre a economia. Seja m exemplo, que a experiência tem mostrado funcionar quer do lado da oferta, quer da procura, tem sido o caso do serviço de entregas disponibilizadas por muitas empresas, do funcionamento da restauração em “take-away” e da maior utilização de compras “online”. Por sua vez, a governação avançou com fortes apoios orçamentais às famílias e empresas, completadas com a política de taxas de juro do BCE muito baixas. Medidas que tem vindo a permitir controlar a produção e o emprego.
Concluindo, temos dois cenários possíveis para 2021, o “severo” e o “moderado”. O cenário a prevalecer dependerá: (a) Da evolução da pandemia;
(b) Da intensidade e força das medidas restritivas sanitárias que se venham a adotar;
(c) Da duração do novo confinamento. Infelizmente, a situação presente não augura nada de bom, tornando o “cenário severo” cada vez mais próximo da realidade, se entretanto não houver uma rápida reversão da crise sanitária existente.

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