Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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O “pecado original”

As Bibliotecas e a preservação dos jornais

Ideias

2010-05-28 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Na semana passada, fiquei preocupada com um conjunto de prioridades sugeridas como óptimas para o crescimento e desenvolvimento, tanto de Portugal quanto da Região Norte. Tratava-se apenas de sugestões ou reflexões, conforme se quiser, mas ia muito para lá de mera “conversa de café”.

Defendiam-se, como sectores estratégicos, o cluster do mar, da floresta e da agro-indústria, sublinhando a importância dos sectores industriais tradicionais e da construção civil, nomeadamente no que respeita à reestruturação urbana. São inegavelmente sectores fundamentais, mas a questão coloca-se necessariamente noutro nível. Mais do que apoiar ou incentivar este ou aquele sector de actividade económica, o “modelo de negócio” tem que se alterar - criar marcas, ter design, diferenciando ou mesmo personalizando os produtos e tornando-os mais sofisticados, reduzindo prazos de entrega, no fundo compreendendo claramente que o ambiente empresarial mudou e que o mundo de hoje é inegavelmente global.

No fundo, e de uma forma um tanto simplista, a alternativa para Portugal tem de ser escolhida entre duas únicas possibilidades. Manter a estrutura produtiva actual, bem como o modelo de negócio, reforçando sectores ligados com aquilo que em jargão de economistas se chama de “bens Ricardo” (a partir de matérias primas ou recursos naturais existentes), e nesse caso conforme repetidamente tem sido afirmado por diversos economistas de renome mundial, os salários deverão decrescer pelo menos entre 20% a 30% face aos concorrentes europeus, diminuindo ainda custos com a segurança social, para criar condições para as empresas serem competitivas.

Ou então, alterar o modelo de negócio, reconhecer claramente que o conhecimento é hoje o principal motor das economias, promover o desenvolvimento de redes empresariais, acrescer de forma significativa a produtividade, reforçar a contratação de trabalhadores muito mais qualificados e criar novos nichos de mercado, e nesse contexto a dimensão relativamente pequena de Portugal não se coloca de uma forma tão clara.

Ontem, numa conferência na Universidade do Minho, o Professor Bordo falava do “pecado original” que as economias eventualmente têm ; ou seja, a história e as opções feitas no passado determinam em grande medida o futuro, independentemente das estratégias conjunturais de política económica tomadas pelos governos. Na actual crise que vivemos, e no quadro de restrições orçamentais com que hoje um bom número de países desenvolvidos está defrontado, ou aproveitamos para reestruturar a estrutura produtiva do país, se reforça a procura de educação e formação profissional em vez de comprar mais bens de consumo não necessários recorrendo para tal ao crédito, ou os nossos filhos e netos continuarão a pagar o nosso “pecado original”. E a pagar um preço tendencialmente mais elevado.

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