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O melhor é não ir em futebóis

Pensar o futuro

O melhor é não ir em futebóis

Escreve quem sabe

2021-06-01 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Os tempos andam estranhos. E as gentes também, diga-se de passagem. Talvez seja da minha impressão, muito pessoal, mas sinto uma certa instabilidade no ar. Uma certa sede de movimento desregrado, uma certa avidez por um certo individualismo. Automobilistas que julgam andar sozinhos nas estradas, fura-filas que mantêm o seu sistema de corte ou até «ocupas» de esplanadas que consideram posse sua o espaço de 3 metros que os circunda. Atenção: ainda não saímos da pandemia, mesmo que este sol e bom tempo nos enganem os sentidos. Basta entrar numa unidade de cuidados de saúde, ou ver as notícias diariamente, para percebermos que a saúde pública mantém a sua integridade por um fio. E, ainda assim, infelizmente existem situações que indicam que a instabilidade não é apenas individual, mas sim notória num sentido coletivo:

1. Gosto imenso da nossa capital. Penso que é uma cidade lindíssima, com uma luz maravilhosa, que nos faz desejar entrar mar adentro e explorar novas terras sempre que lá vamos. Traz-me recordações sensacionais, que só foram possíveis lá. No entanto, não entendo muito bem o que Lisboa tem para se ter verbalizado que a vacinação lá seria mais importante do que, por exemplo, na aldeia de Gimonde, em Bragança. Talvez tenha sido uma brisa, esta ideia apresentada numa conferência de imprensa de uma noite: há, pelos vistos, coisas que andam no ar, pelo que temos de redobrar a atenção com as máscaras.
Portugal não é apenas Lisboa, ainda que a atenção permaneça aí concentrada. Não obstante, como todos os bons donos de casa sabem, a poupança é maior quando os concentrados se diluem de forma adequada, tendo em conta que o que deve ser suficiente para todos – e não só apenas para alguns. Penso que os de Gimonde concordam comigo, especialmente porque também gostam de receber turistas e manter os negócios a funcionar.

2.As universidades portuguesas não habitam apenas nos rankings ou na publicidade científica. Aliás, nesses espaços encontram-se pessoas. Pessoas que administram, que dão aulas, que gerem, que assistem às aulas, no fundo, que fazem a universidade viver – e, nos dias de hoje, quase sobreviver. Por isso mesmo, continuo sem compreender a razão de não se ter procedido à vacinação das pessoas que frequentam e trabalham nas universidades: na maioria dessas instituições existiu a obrigatoriedade das aulas presenciais, muitas vezes com turmas repartidas em sistema misto, mas que levaram à presença de dezenas de pessoas em sala. Algumas turmas, mesmo divididas, chegaram a apresentar 40, 50 pessoas em regime presencial, enquanto que a outra metade desses grupos assistia à aula em casa. Sem falar das aulas em laboratórios, que implicam uma proximidade maior e espaços mais pequenos, embora com menos estudantes.
E, afinal, o que se fez/faz em relação a isto? Testagem voluntária? Mais: enviar os estudantes da área da saúde para os seus ensinos clínicos e estágios em unidades de saúde sem estarem vacinados, sendo que essas atividades são obrigatórias para que os mesmos terminem os seus cursos. Qual a solução?

3.Não sei se a maioria dos portugueses gosta de desporto, mas o futebol continua talvez a ser, infelizmente, o desporto mais badalado nessa esfera. É o campeonato, a taça, a liga especial, a supra liga e a pequena. E os adeptos. E a festa. E o SARS-COV-2. E tudo junto, mesmo junto, resulta numa grande confusão ao nível da saúde pública – está no mesmo escalão do último Natal, pertence à mesma divisão. Para ajudar e estimular este cenário, no norte do país acontece um evento desportivo com gente indisciplinada, que considerou as esplanadas da Ribeira o areal ideal para uma partilha de impressões. Não sei onde este cenário vai levar, mas é possível que daqui a quinze dias ou três semanas surjam notícias sobre os resultados das festividades.
E, no fim, com futebóis à parte, alguém talvez pergunte: quem assume a responsabilidade? Os adeptos? Os clubes? Os restantes portugueses que não são amantes desse desporto?
Todos nós vemos estas situações a acontecerem. Surgem nas notícias, no nosso quotidiano, aqui mesmo ao nosso lado. Aparecem, mas talvez fosse possível impedir que as mesmas ocorressem. Ou, pelo menos, que fossem minimizadas.
Cabe agora, a cada um de nós, refletir sobre a nossa ação individual para o caminho do bem comum, que, pelo que se tem visto, tem algumas pedras pelo caminho. Resta-nos com elas fazer uma calçada portuguesa.

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