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O ministro caranguejo

O Estado da União

Ideias Políticas

2016-12-13 às 06h00

Hugo Soares

Na última semana, Portugal recebeu uma ótima notícia: pela primeira vez, os alunos portugueses de 15 anos ficaram acima da média da OCDE em ciências, leitura e matemática. Esta é uma das mais importantes conclusões do relatório PISA 2015. O PISA - Programme for International Student Assessment é um estudo de referência, que a OCDE realiza a cada três anos. O que fica agora à vista é que os alunos portugueses não apenas melhoraram face à última edição (2012) como ultrapassaram a média dos 34 países da organização.

E mais: no que se refere às ciências, Portugal foi mesmo o país da OCDE que mais evoluiu. Mas as boas notícias na Educação não se ficaram por aqui. Uma semana antes, outro reputado estudo, o TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study), tinha revelado que os alunos portugueses do 4º ano de escolaridade estão agora melhores a matemática do que em 2011, ficando à frente de países como Finlândia e Holanda, tradicionalmente apontados como exemplos.

Ora, foi muito “didático” ver a forma incomodada como o ministro da Educação e a esquerda reagiram a estes progressos dos últimos anos. Martelaram interpretações, desvalorizaram, tergiversaram. Porquê? Porque estes resultados deitam por terra a narrativa com que a esquerda e os seus braços sindicais destabilizaram a Educação nos últimos anos e colocam em causa o caminho de retrocesso educativo que o ministro Tiago Brandão Rodrigues inaugurou mal chegou ao governo.

Aqueles que vaticinaram o fim da escola pública deviam agora pedir desculpa a Nuno Crato: elevou-a a um patamar que nunca antes tinha alcançado. Não o fez sozinho, evidentemente. Fê-lo com a comunidade educativa, com os alunos, professores, famílias. Fê-lo contra a oposição feroz dos sindicatos e o preconceito ideológico da esquerda. E fê-lo na senda de ministros da Educação como David Justino, Maria de Lurdes Rodrigues ou Isabel Alçada, que, ao contrário do atual, sabem que o único caminho para uma escola pública de qualidade é elevar a fasquia da exigência e não baixá-la. Não foi, repito, trabalho de um homem só. Mas pretender apagar o papel de Nuno Crato na melhoria dos resultados evidenciados no PISA 2015 é de uma pequenez confrangedora e lamentável.

Tiago Brandão Rodrigues não só não percebe nada de Educação como é arrogante e petulante na ação política. Só verga, na verdade, perante Mário Nogueira. Em vez de esperar para conhecer o impacto e avaliação das políticas (que como agora se percebe estavam no caminho certo) apressou-se a desfazer. A andar para trás.
Os princípios da responsabilidade, do mérito e da exigência devem ser fundadores da escola. Quando se advoga a cultura do facilitismo está-se a formar a indiferença e a mediocridade, o nivelamento por baixo e aquela condescendência paternalista que a esquerda tanto preza.

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