Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O Museu dos Cordofones

O que nos distingue

Ideias

2016-03-02 às 06h00

José Hermínio Machado

Depois de se ter organizado a ‘I Tertúlia Braga nas Tradições’, com a presença de Tiago Pereira e da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, (um projecto dedicado à gravação e divulgação de práticas instrumentais e musicais, e de outras dimensões implicadas), o conjunto de pessoas que tem animado esta coluna no jornal Correio do Minho considerou que a próxima iniciativa se poderia ligar ao instrumento musical que mais se identifica com a cidade e com a região, o cavaquinho.

O facto de Braga ser em 2016 a capital ibero-americana da juventude, título que resume um projecto de intenções em que a consolidação do movimento associativo se configura como importante e decisiva, permite prever que esta temática do cavaquinho congrega, por si, um enorme potencial de estudo, divulgação e demonstração. A dispersão do instrumento pelos vários países que pertencem ao imaginário ibero-americano foi recentemente objecto de documentação fílmica e videográfica o que facilitará, por certo, tempos de partilha e momentos de conversação.

O facto de haver cada vez maior número de praticantes, individuais e agrupados, poderá suscitar a exploração de combinações sonoras e a criatividade de temas que continuem a motivar a dedicação dispensada ao cavaquinho. Naturalmente que a perspectiva de poder encontrar neste evento um número interessante de tocadores virtuosos, oriundos de países diferentes, é uma tentação, mas tal desejo não se deve fazer prioridade, dadas as condições dispendiosas que estão implicadas na sua concretização. A cidade e a região têm recursos que podem satisfazer o primeiro evento, quer em termos de quantidade, quer em termos de variedade qualitativa.

O cavaquinho, como qualquer outro instrumento musical, simboliza bem essa junção dos dois recursos humanos que fazem da música a linguagem maravilhosa que é: o indivíduo e o grupo. A habilitação pessoal e a coordenação em grupo, desde o dueto à formação de grandes conjuntos, demonstram bem a peculiaridade do caminho musical feito por este instrumento tão simples quanto surpreendente: usando uma comparação, podemos dizer que a progressão na aquisição e domínio da sua linguagem evolui da oralidade rudimentar para a literacia erudita, desafia sujeitos e grupos a saberem ser tão simples e repetitivos quanto especializados e inovadores.

Já ninguém duvida da consagração que o instrumento adquiriu, ele é já um som da tradição, mas todos nos surpreendemos sempre com a sua aplicação nas mais inusitadas situações. Para terminar esta crónica, importa avançar com o local mais adequado para esta iniciativa e o mais merecedor dela: o Museu dos Cordofones de Domingos Machado, sediado em Tebosa. Este museu está ligado a uma oficina mítica na cidade e na região, a oficina de Domingos Machado e de seu filho Alfredo Machado, a qual se mantém ainda como lugar de ganha-pão da família, mas tornou-se já uma instituição cultural por excelência, um ponto de encontro de caminhos diversos, muitos com origem noutras terras e países.

Dotar este museu com uma iniciativa cultural e festiva que o coloque, anualmente, num roteiro dos lugares com histórias, à semelhança de outras terras onde já estão consagradas iniciativas de periodicidade obrigatória, trará por certo vantagens directas e indirectas à música, aos músicos, à terra, à cidade, à região e ao país, passos trabalhosos, claro, mas estimulantes para todos. Falta saber, para quando? Depois do verão, Setembro… Outubro? As cartas ficam lançadas. Vamos lá a ver o que é possível.

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