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Braga, quinta-feira

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O Nó de Infias e os outros

A saia comprida

O Nó de Infias e os outros

Ideias

2019-05-07 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

“Pense bem no que vai fazer, e todos os seus planos darão certo”
(Provérbio popular)

Aredefinição do Nó de Infias, um dos principais - se não o primeiro - pontos de congestionamento do trânsito na cidade de Braga, constitui, finalmente, uma prioridade para a Câmara Municipal. O presidente da autarquia, que já encetou contactos com a Infraestruturas de Portugal (IP) e com o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas para os sensibilizar para o problema, acredita que as obras, a que corresponde um investimento de 5 milhões de euros, possam estar concluídas em meados de 2022.
Conforme Ricardo Rio enfatizou na apresentação do diagnóstico e das perspectivas de intervenção naquele local, a ideia é melhorar a capacidade de escoamento do tráfego de atravessamento. Em causa está, designadamente, o trânsito que utiliza as ligações da Av. António Macedo à EN 101-201 (de e para Norte) bem assim como todo o que é escoado nas saídas do centro da cidade para o nó e para essas vias.

O diagnóstico apresentado na sessão pública, refere que a EN 101-201 (ligação a Amares e Vila Verde) registou, em 2016, volumes de tráfego médio diário de cerca de 40 mil veículos, média que na Avenida António Macedo mais que duplica, registando um valor de cerca de 88 mil veículos/dia. Por outro lado, no troço que liga a rotunda de Infias ao nó de Infias, registou-se, em 2018, um tráfego médio diário de 20 mil veículos.
Ao edil bracarense assiste toda a razão quando conclui que estes números constituem um “valor incomportável para o perfil desta via”. É um facto absolutamente indesmentível. Daí a premência em avançar com uma solução que possa resolver, tão rapidamente quanto possível, este problema concreto que, como se constata pelos estudos entretanto elaborados, afecta diariamente muitos milhares de automobilistas.

Convém, no entanto, não esquecer que em questões de trânsito as soluções desgarradas geralmente dão maus resultados. Até podem, pontualmente, resolver um problema mas por vezes essas decisões comportam efeitos colaterais nefastos.
Sabe-se, aliás, que problemas do tipo daqueles que se encontram em Infias não são facilmente solucionáveis, dada a sua enorme complexidade, e menos serão se as futuras intervenções não tiverem por base estudos cuidados que acautelem devidamente as consequências das medidas a adoptar. Por outras palavras, nesta como em outras áreas sensíveis, impõe-se estudar e colocar em prática uma solução integrada que evite que a resolução de um problema venha a ocasionar outros, quiçá mais graves.

Não ignoro que, na mesma sessão, a Câmara avançou também com a proposta de ligação do Parque Industrial de Adaúfe ao nó das autoestradas, em Ferreiros, esta correspondendo a um investimento da ordem dos 13 milhões de euros. Aliás, ontem mesmo Ricardo Rio anunciou para este semestre o lançamento da obra de extensão, em trezentos metros, da Variante do Cávado até Frossos, para finalmente dar maior utilização ao troço construído pelo Centro Comercial Nova Arcada no âmbito das contrapartidas negociadas há anos com o município.
Mesmo sabendo que a Câmara de Braga não tem músculo financeiro para, por si só, avançar com propostas a que correspondem investimentos de valores como aqueles que são anunciados, creio que tal não deve constituir um factor impeditivo, bem pelo contrário. E não constitui, além do mais porque a Administração Central não pode ignorar - e estou certo que o não fará - o alcance social, ambiental, económico e político de tais investimentos e, nessa medida, não creio que venha a enjeitar as suas responsabilidades.

Não se tratará de reivindicar um investimento de vulto com argumentos tão bacocos, tão ridículos, como aquele que vi referido de que desde a construção do Hospital de Braga não houve mais nenhum de grande dimensão. Os investimentos públicos não podem ser decididos com base em raciocínios bairristas desse género. Não, os recursos de todos nós têm que ser geridos com todo o rigor e para satisfazer o interesse público. A reivindicação tem que ter por base – e indiscutivelmente esta tem – uma carência gritante de intervenção numa área sensível, sendo certo que tal operação vai contribuir para o desenvolvimento económico de uma região onde, por sinal, estão sedeadas algumas das grandes empresas exportadoras do país.

Mas, como sublinhei anteriormente – e de resto também foi realçado, entre outros, por Artur Feio, líder da oposição -, impõe-se que o Município pense soluções para além do Nó de Infias e da principal entrada Norte na cidade. O vereador socialista desafiou Rio a “decidir uma nova estratégia mais abrangente de mobilidade”, que seja capaz de “antecipar problemas que vão surgir no espaço de 20 anos”, apontando o exemplo da Rotunda Santos da Cunha, onde “o trânsito revela-se cada mais complicado”.

Estou convicto, de facto, não obstante a relevância e premência da solução do Nó de Infias, de cuja imprescindibilidade não tenho quaisquer dúvidas, de que essa intervenção não solucionará todos os problemas. Basta, aliás, andar na cidade para ver o que acontece, por exemplo, na rotunda das piscinas ou naquela que, em Ferreiros, dá acesso à cidade e à autoestrada. E que dizer das duas rotundas em Celeirós que servem o Parque Industrial sedeado naquela freguesia? Seria interessante conhecer os valores médios diários do tráfego nestes locais para se aquilatar da premência em intervir também nestes locais. Antes que os problemas se agravem mais.

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