Correio do Minho

Braga, segunda-feira

O número de gostos na auto-estima

A Europa paga aos agricultores para não produzirem?

Escreve quem sabe

2015-05-10 às 06h00

Joana Silva

As redes sociais vieram para ficar revolucionando igualmente o mundo das relações interpessoais. Desde os mais novos (que cada vez estão mais familiarizados com as novas tecnologias fazendo crer que “ já nascem ensinados” ) aos mais graúdos, todos parecem fascinados com o mundo digital.

Partilhar uma mensagem, uma opinião, um pensamento a um vasto número de pessoas nunca outrora foi tão fácil. A distância geográfica ficou mais pequena possibilitando um contacto permanente pelas ferramentas que estas disponibilizam permitindo a visualização de estados emocionais, interações verbais ainda que não seja possível o contacto físico ou toque.

Apesar das muitas vantagens, os especialistas que se debruçam sobre esta temática tem indicado que a sua utilização e dependência do feedback digital pode ter consequências no auto - estima, fragilizando-a. Assiste-se a novo fenómeno, a dependência (vício) das redes sociais em que o mundo digital se sobrepõe à própria vida real, condicionando-a. Tudo é partilhável num “sem fim”, de vivências desde refeições (do pequeno almoço ao jantar), viagens, estados de humor (a sentir-se …) , aquele problema com o chefe ou namorado(a)… . Estudos indicam que se encara o mundo das redes sociais mais “cor-de-rosa” do que cinzento transformando -se numa espécie de comprimido da felicidade!

O mundo “perfeito” pode na verdade ser imperfeito e manipulado, onde podem ganhar vida acontecimentos que nunca existiram, a viagem, o dia especial etc. Pessoas como auto - conceito e auto estima baixa tendem a ser mais vulneráveis à necessidade de “um gosto” numa fotografia ou comentário para satisfação emocional imediata. Em certos casos poderá desenvolver-se uma obsessão pelo número de “gostos” em que a não superação das expectativas pode traduzir-se no desalento, na tristeza ou desmotivação. Pessoas fragilizadas no seu auto-conceito tendem a auto - responsabilizar-se por via da auto-crítica interior do género “Não tenho gostos na fotografia, é porque sou feio!”, “ Não tem dinheiro mas foi a Paris (observando os comentários de viagem feliz) … Eu é que não tenho sorte! Continuo no mesmo sítio!”, “ Agiu tão mal com tantas pessoas, mas os gostos somam e seguem. Tudo lhe corre na vida: sucesso e uma relação estável”. Nem tudo o que parece pode o ser na realidade. Uma fotografia pode captar um momento mas não a totalidade de uma emoção. Quantos casais, por exemplo, transbordam felicidade só para determinada publicação, para “parecer bonito”?! O próprio comportamento social em momentos de lazer estão a ser alvo de algumas mudanças onde se a assiste por exemplo à necessidade por vezes de estar permanentemente em contacto com as redes sociais prejudicando a relação face a face descurando a partilha e o convívio. Existem até mesmo situações que há uma grande necessidade de partilha imediata da localização e de com “quem se está” para inúmeras pessoas com as quais muitas das vezes não se relacionam ou nem se identificam em personalidade (feitios) onde o intuito primordial é o de “atingir algo”. Posto isto, as redes sociais tem como objectivo a partilha de informação a um público em geral e a socialização saudável da qual se depreende uma utilização regrada e adequada não comprometendo o seu estado emocional. Mais do que partilhar é viver em tempo real o momento. Um registo digital não se equipara a um abraço, a um beijo ou uma gargalhada.


* Técnica Superior de Educação e Formação
(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

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