Correio do Minho

Braga, sábado

O Oitavo Elemento do Método Escutista

Mercado de Trabalho em Portugal, uma visão crítica

Escreve quem sabe

2018-03-30 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

A crónica que publiquei neste espaço, no dia 27 de janeiro de 2012, sob o título Método Escutista, enumerava os sete elementos que constituíam este método de autoeducação criado por Baden-Powell a saber: Lei e Promessa, Mística e Simbologia, Vida na Natureza, Aprender Fazendo, Sistema de Patrulhas, Progresso Pessoal e Relação Educativa, temas que desenvolvi em crónicas que se lhe seguiram.
Se volto ao assunto, seis anos depois, é porque a 41ª Conferência Mundial do Escutismo, a assembleia geral do escutismo mundial, onde têm assento todas as associações nacionais reconhecidas, realizada no Azerbaijão, em agosto de 2017, decidiu introduzir um novo elemento no Método Escutista o Envolvimento na Comunidade. Em bom rigor não deveríamos dizer que a Conferência introduziu um novo elemento, mas sim que esta deu visibilidade a um elemento que até então era implícito e que a partir de então passou a ser explícito.
É o próprio fundador que, no seu livro Auxiliar do Chefe Escuta, publicado em 1919, na II parte - de escuteiro a cidadão, dedica o quarto ponto ao Serviço ao Próximo e nele, um subponto ao Serviço à Comunidade.
No prefácio da edição do livro fundacional Escutismo para Rapazes, na edição de 1940, B.-P. afirmava o velho Sócrates dizia a verdade ao afirmar: «Homem algum pode ter propósito mais nobre do que aquele que se preocupa com a educação correta não só dos seus, mas também dos filhos dos outros homens, tal como na edição de 1946, onde se fixou o texto para a Edição do Escutismo para Rapazes, no âmbito da Fraternidade Mundial o fundador regista no prefácio: um escuteiro genuíno é tido pelos outros rapazes e pelos adultos por pessoa em quem se pode confiar, pessoa que não deixará de cumprir o seu dever por muito arriscado e perigoso que isso seja, pessoa que se mostra alegre e bem disposta, por maiores que sejam as dificuldades que se lhe deparem.
O Coronel John Wilson, colaborador próximo de Baden-Powell, na edição da Fraternidade Mundial, na introdução que faz para a primeira edição da tradução em língua portuguesa da mesma escreve, datada de 22 de fevereiro de 1954: o nosso fundador sempre neste ponto, que todo e qualquer movimento mundial não podia senão assentar em bases nacionais, assim como as características nacionais provêm da comunidade e têm origem na família, que ele considerava a unidade da civilização e da humanidade.
Se dúvidas houvesse sobre o pensamento do fundador quanto ao envolvimento na comunidade, a própria Lei do Escuta, no seu artigo quarto: O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas, remete-nos para este estar em comunidade e nas diversas comunidades onde estamos inseridos.
A Constituição Mundial do Escutismo consagra, pelo menos, desde a 26.ª Conferência Mundial, realizada em Montreal, no Canadá, no ano de 1977, onde foi aprovada a atual redação dos três pincípios fundamentais do escutismo: 1.º Princípio espiritual a relação do escuteiro com Deus; 2.º Princípio social a relação do escuteiro com os outros e 3.º Princípio pessoal a relação do escuteiro consigo mesmo, também ela consagra o envolvimento na comunidade.
Finalmente, na sua última mensagem Baden-Powell deixa-nos este conselho que, de certa forma terá que marcar o envolvimento na comunidade, agora explicitamente consagrado como um elemento do Método Escutista.
Assim, podemos dizer que o envolvimento na comunidade vem relançar o traço humanista do escutismo e reforçar o conceito do outro enquanto próximo, mas sobretudo vem valorizar o modus operandi do escuteiro e do escutismo na sociedade.
O escuteiro vive na comunidade, qualquer que ela seja, a comunidade escutista, do bairro ou do lugar, da freguesia ou da paróquia, da cidade ou do concelho, do país ou da Europa, da local à mundial ou universal, mas vive na comunidade, com a comunidade e para a comunidade.
Aproveitando o enquadramento e o espírito da Semana Santa bem poderemos dizer que na Comunidade tanto o escuteiro como o escutismo estão para Servir e não para serem servidos.
A todos os leitores e colaboradores do Correio do Minho apresento votos de uma Santa Páscoa.

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